A oração da Ave-Maria nos mistérios gozosos do Rosário

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O poeta Charles Péguy dizia que “No mecanismo da salvação, a Ave-maria é o extremo socorro. Com ela não podemos nos perder”. Meditamos hoje sobre esta querida oração para o cristão, sendo as 10 Ave-marias de cada mistério o elemento “mais encorpado do Rosário e também o que faz dele uma oração mariana por excelência” (São João Paulo II, Rosarium Virginis Mariae, 33).

 

Primeiro mistério: Ave Maria, cheia de graça!

“Rejubila, filha de Sião, solta gritos de alegria, Israel! Alegra-te e exulta de todo coração, filha de Jerusalém! Naquele dia, será dito a Jerusalém: Não temas, Sião! Não desfaleçam as tuas mãos! O Senhor, o teu Deus, está no meio de ti, um herói que salva!” (Sf 3,14.16-17). 

A primeira palavra da saudação do Anjo a Maria, com a qual começa a Ave Maria, é um convite à alegria messiânica. A palavra original grega é “Xaire”, que pode também ser traduzida como “Alegra-te!”. Segundo o Papa Emérito Bento XVI, este convite à alegria marca o início do Novo Testamento, mostrando que o cristão é uma pessoa alegre. “Cheia de graça”, que no original grego é uma só palavra -“Kejaritomene”- é um nome que o Anjo aplica a Maria, fazendo referência à sua Imaculada Conceição, dom concedido por Deus com vistas a sua maternidade divina.

 

Segundo mistério: Bendita és tu entre as mulheres.

“Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus em meu Salvador, porque olhou para a humilhação da sua serva. Sim! Doravante as gerações todas me chamarão de bem-aventurada” (Lc 1,42).

Depois das palavras do Anjo, que expressam a admiração perante a Encarnação do Verbo no ventre puríssimo, a Ave Maria reproduz a admiração terrestre, vinda dos lábios de Isabel, na passagem da visitação. Somos convidados, todos nós, sempre que rezamos a Ave Maria, a sintonizar, como a prima de Nossa Senhora, “com este encanto de Deus: é júbilo, admiração, reconhecimento do maior milagre da história. É o cumprimento da profecia de Maria: «Desde agora, todas as gerações Me hão-de chamar ditosa » (Lc 1, 48)” (Lug. Cit.).

 

Terceiro mistério: Bendito é o fruto do teu ventre, Jesus.

“Ora, quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!”” (Lc 1,42-43).

Sempre que nos aproximamos, pela Fé, a Nossa Senhora, Ela cumpre com a sua missão de conduzir-nos mais perto do seu Filho Jesus. Uma Fé mariana é por isso necessariamente Cristocêntrica, o que está expresso no lugar central, “barocêntrico” (Lug. Cit.), como diz São João Paulo II, que ocupa a Palavra Jesus na oração. Os pastores que acorrem a Belém no dia do Natal encontram Jesus nos braços de Maria, que o apresenta a Eles, como um ostensório vivo. E o mesmo Ela faz hoje com cada um de nós, convidando-nos à adoração do seu Filho, enquanto rezamos o Terço.

 

Quarto mistério: Rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte.

“Quando se completaram os dias para a purificação deles, segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém a fim de apresenta-lo ao Senhor, conforme está escrito na Lei do Senhor” (Lc 2,22).

Depois da nossa morte será o nosso juízo particular, hora da verdade. Como dizia São João da Cruz, “amanhã serás examinado, no amor”. Nessa hora tremenda, esperamos ser apresentados pela Nossa Mãe perante Deus, assim como Ela apresentou Jesus no Templo. Sabemos, como dizia o poeta Manrique, que “as nossas vidas são os rios, que nos levam ao mar, que é o morrer”. Ao pedir a Maria que rogue por nós hoje e naquela hora, expressamos a consciência da nossa fragilidade, dos nossos pecados, e a nossa necessidade da infinita misericórdia divina, hoje e sempre.

 

Quinto mistério: O Senhor Jesus, perdido e encontrado.

“Ao vê-lo, ficaram surpresos, e sua mãe lhe disse: “Meu filho, porque agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos”” (Lc 2,48).

Este mistério, no qual Maria perde seu filho por três dias em Jerusalém, tem fortes semelhanças com a paixão e morte de Jesus, anos depois. Assim como encontra o Menino Jesus no Templo, na Casa do Pai, três dias depois, encontrará anos depois seu Filho Ressuscitado ao terceiro dia, vencedor da morte e do pecado que tinham a humanidade sujeita à servidão. Este mistério nos convida a lembrar que a Quaresma é um caminho para a Páscoa, que graças a Jesus a morte não tem a palavra definitiva em nossas vidas.

Martin Ugarteche Fernández
Membro do Sodalício de Vida Cristã desde 1996. Nascido no Peru em 1978, mora no Brasil desde 2001. Por muitos anos foi professor de Filosofia na Universidade Católica de Petrópolis. Atualmente faz parte da equipe de formação do Sodalício, é diretor do Centro de Estudos Culturais e desenvolve projetos de formação na Fé e evangelização da cultura para o Movimento de Vida Cristã.

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