Maria na vida oculta de Jesus

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A maior parte da vida de Jesus se passou tranquilamente, em meio ao ambiente familiar e de trabalho, junto à sua Mãe Maria. Meditaremos hoje nos ensinamentos que este caráter “oculto” da vida de Jesus traz para o mistério das nossas vidas, seguindo o exemplo de Maria, prestando atenção aos sinais de Deus e meditando no coração.

 

Primeira meditação: a intimidade entre Jesus e Maria.

“Ele se levantou, tomou o menino e sua mãe e entrou na terra de Israel. Tendo recebido um aviso em sonho, partiu para a região da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazaré” (Mt 2,21.22b-23a). “E o menino crescia, tornava-se robusto, enchia-se de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele” (Lc 2,40).

As Sagradas Escrituras falam pouco da vida da Sagrada Família em Nazaré. Mateus nos fala da volta do Egito e da ocupação de José, que era carpinteiro. Lucas também traz alguns detalhes, recolhidos muito provavelmente das recordações que Maria tinha desse tempo de profunda intimidade com seu filho. Falando dessa intimidade, São João Paulo II dizia que se encontrava enraizada numa particular condição sobrenatural e reforçada pela conformidade de ambos com o Plano de Deus[1].

 

Segunda meditação: o serviço à missão de Cristo na vida cotidiana.

“Maria, contudo, conservava cuidadosamente todos esses acontecimentos e os meditava em seu coração” (Lc 2,19).

A medida da grandeza da nossa vida é a grandeza do ideal que servimos. Em Maria, “os mais singelos e humildes afazeres de cada dia assumiam, a seus próprios olhos, um valor singular, porque os vivia como serviço à missão de Cristo”[2]. Muitas vezes pensamos que a parte que nos toca dentro da missão é sem importância. A nossa vida cristã se torna monótona, deixa de ser a grande aventura que está chamada a ser. Maria nos mostra o antídoto: “No contato com Jesus, enquanto crescia, [Ela] esforçava-se por penetrar o mistério do seu Filho, contemplando e adorando”[3].

 

Terceira meditação: Um desafio para a fé de Maria

A vida normal que Jesus leva, tão semelhante ao dos seus coetâneos, representa um desafio para a fé de Maria. “Durante os trinta anos da sua permanência em Nazaré, Jesus não revela as suas qualidades sobrenaturais, nem realiza gestos prodigiosos”[4]. São João Paulo II afirma que “No clima de Nazaré, digno e marcado pelo trabalho, Maria se esforçava por compreender a trama providencial da missão do seu Filho”[5]. Deve ter sido fonte de constante reflexão para Ela o que Jesus dissera na porta do Templo, quando tinha doze anos: “Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?” (Lc 2,49), no seu esforço “por descobrir no comportamento do seu Filho, os rasgos que revelavam a sua semelhança com Aquele que ele chamava de “meu Pai””[6].

 

Quarta meditação: Uma peregrinação de esperança.

“Porque meus olhos viram tua salvação, que preparaste em face de todos os povos, luz para iluminar as nações, e glória de te povo, Israel” (Lc 2,30-32).

Segundo São João Paulo II, os trinta anos de vida oculta de Jesus em Nazaré oferecem a Maria não apenas ocasião para Ela amadurecer não apenas fé como já vimos, mas também na esperança, tendo como alimento a lembrança da Anunciação e das palavras de Simeão: “Na escuridão da fé, e na falta de sinais extraordinários que anunciem o início da missão messiânica do seu Filho, ela espera, para além de toda evidência, aguardando de Deus o cumprimento da promessa”[7].

 

Quinta meditação: O mistério da nossa vida, escondida com Cristo em Deus.

“Pensai nas coisas do alto, e não nas da terra, pois morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus: quando Cristo, que é a vossa vida, se manifestar, então vós também com ele sereis manifestados em glória” (Col 3,2-3).

A casa de Nazaré é autêntica escola de fé, esperança e caridade. O coração de Maria também arde com o mesmo amor que Jesus desejava estender a todo o mundo. A maior parte das nossas vidas se passa tranquilamente, como se a nossa fé em Cristo não fizesse diferença. Não nos deixemos enganar pelas aparências! A nossa vida se encontra, como a de Maria, “escondida com Cristo em Deus” e é por isso que ela é sempre uma grande aventura, capaz de atrair mais pessoas para Cristo, tal como acontece com a nossa Mãe, a primeira em dar testemunho de Cristo.

 

 

[1] Cf. Juan Pablo II. El Credo (Tomo V: La Madre del Redentor). Lima: VE, 1999, p. 212.

[2] Ibid., p. 213.

[3] Lug. Cit.

[4] Ibid., p. 214.

[5] Lug. Cit.

[6] Lug. Cit.

[7] Lug. Cit.

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