O eficiente Anjo da Guarda do Papa

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Como muitos devem saber, o Papa Bento XVI sofreu uma queda acidental ao procurar o interruptor da luz do seu quarto na residência de descanso em Les Combes, na Região de Introd, fronteira italiana com a França, logo depois da qual teve que ser operado e engessado.  

Com seu habitual e cativante bom humor, ao despedir-se do pessoal que o servia na residência, o Santo Padre comentou que talvez seu Anjo da Guarda estava seguindo “ordens superiores” ao permitir que lhe ocorresse este “infortúnio”, para ensinar-lhe a ter “mais paciência e humildade e dar-me mais tempo para a oração e a meditação”. Como vocês podem imaginar, a surpresa e alegria por tal humilde e edificante comentário foi grande entre os presentes.

Esta experiência e anedota não só nos mostra a face do Papa que muitos desconhecem e pensam que não existe: a face permanente de Bento XVI transmissora de alegria, proximidade e paz cristã. Mas também nos ensina algo essencial e vital para nossa existência: a necessidade de uma constante oração e meditação. A eficácia do Anjo da Guarda está, com certeza, em fazer o Santo Padre lembrar (ele não precisava disso, nós sim!) que sem o encontro cotidiano com o Senhor não dá para viver nem para desdobrar-nos e crescer como pessoas e como sociedade.

“Sem querer querendo”, o Papa nos falou mais uma vez da sua terceira Encíclica. Pois no número 79 nós lemos assim: “O desenvolvimento tem necessidade de cristãos com os braços levantados para Deus em atitude de oração, cristãos movidos pela consciência de que o amor cheio de verdade — caritas in veritate –, do qual procede o desenvolvimento autêntico, não o produzimos nós, mas é-nos dado. Por isso, inclusive nos momentos mais difíceis e complexos, além de reagir conscientemente devemos sobretudo referir-nos ao seu amor. O desenvolvimento implica atenção à vida espiritual, uma séria consideração das experiências de confiança em Deus, de fraternidade espiritual em Cristo, de entrega à providência e à misericórdia divina, de amor e de perdão, de renúncia a si mesmos, de acolhimento do próximo, de justiça e de paz. Tudo isto é indispensável para transformar os «corações de pedra» em «corações de carne» (Ez 36, 26), para tornar «divina» e consequentemente mais digna do homem a vida sobre a terra. Tudo isto é do homem, porque o homem é sujeito da própria existência; e ao mesmo tempo é de Deus, porque Deus está no princípio e no fim de tudo aquilo que tem valor e redime”.

Que impressionante lição. Quem diria que uma pequena queda e uma despedida simpática do Santo Padre nos ajudaria a entender que precisamos dedicar-nos mais à oração e á meditação e que o verdadeiro desenvolvimento humano e social implica atenção à vida espiritual. Cooperação humana e confiança total na graça de Deus.

Esperemos que nosso Anjo da Guarda não tenha que ser tão eficaz nem que tenha que seguir esse tipo de ordens superiores, e que no dia a dia, agora mesmo depois de ler esta coluna, eu comece a ter uma vida mais espiritual e de maior união com o Senhor, quem bate à porta do meu coração a cada minuto, querendo entrar realmente na minha vida (ver Ap. 3, 20). Só assim poderemos realmente contribuir na mudança da sociedade.

Pe. Andrés E. Machado, SCV

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