Setembro Amarelo – Suicídio e a Santidade

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O mês de setembro é lembrado em muitos lugares do mundo como o mês de Prevenção ao Suicídio, o qual tem seu dia específico no dia 10 de setembro. Mas, como abordar este tema tão relevante a partir da fé?

É verdade que o suicídio é uma realidade não querida por Deus, pois Ele é o Senhor da vida, que nos criou, que nos redimiu e é o nosso “pão” de cada dia. Quando estamos em comunhão com Ele, Ele reina em nós, como nos diz São Paulo: “Não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim”.

Por outro lado, sabemos que, se o suicídio é uma realidade não querida por Deus, tem-se refletido muito sobre se uma pessoa que comete um ato suicida está condenada ao inferno. Isto era mais aceito na Idade Média, mas, hoje em dia, o pensamento é diferente, porque não temos condições de afirmar se todas as pessoas que cometem esse mal gravíssimo se condenam, pois a misericórdia de Deus é uma realidade com uma lógica diferente da dos homens.

Também, têm sido descobertos muitos transtornos mentais que limitam muito – não totalmente –, a liberdade humana. Segundo estudiosos, a grande maioria dos casos de suicídio envolve pessoas com algum tipo de transtorno psiquiátrico na forma mais grave e, desses transtornos, o mais comum é a depressão.

Lembrando de algumas visões psicológicas, Viktor Frankl chegou a algumas conclusões. Por exemplo, ele dizia que existem duas motivações básicas para não se suicidar: a convicção de que o suicídio causará o sofrimento a alguém próximo (familiar) e o medo de ir para o inferno (convicções religiosas).

Diante do vazio existencial que está ao nosso redor, é importante colocar-nos diante das perguntas existenciais fundamentais da nossa vida, como “quem sou eu?”, “De onde eu venho?”, “Por que estou assim?”, “Para onde eu vou?” Respondendo a estas perguntas, compreenderemos que somos seres em relação. Por isso, o fato de passarmos por momentos de tormento, angústia e vazio existencial não quer dizer que deixamos de ser criaturas sempre em relação com o nosso Criador, pois Ele sempre está querendo Se relacionar conosco e ser a base do nosso relacionamento com outras pessoas, nossos semelhantes.

Deus busca resgatar-nos “na tempestade”; talvez nem sempre “da tempestade”. Às vezes, Deus nos coloca em situações difíceis, pode se valer de nosso sofrimento e das próprias tentações para nos formar. Ou, como diz um salmo, “Dai-nos, Deus, vosso auxilio na angústia”.

A Fé tem que dar sentido e sustento para a nossa vida. Assim poderemos enfrentar as tentações e desolações que nos fazem perder o sentido. Olhemos para cima, para os valores supremos que temos: a família, nossos amigos, nossa Igreja, nossa comunidade e busquemos nos autodeterminar sempre em Deus e com Deus; nunca sozinhos.

Nos adolescentes encontra-se uma tendência maior à perda do sentido de vida, pois é nessa fase que encontram-se as maiores crises durante a vida de uma pessoa. Porém, lembremos que é natural que um adolescente comece a se questionar sobre o sentido da vida. Tenhamos esta premissa para poder ajudá-lo da melhor maneira.

A realidade do sofrimento e da dor é um mistério, não uma experiência sem sentido. O sofrimento é uma oportunidade de escolha para ver o rosto de Jesus, e a dor sempre será contingência, pois somos seres contingentes, não-perfeitos, mas que buscam a perfeição. Por isso, o sofrimento bem vivido nos revelará cada vez mais o sentido das nossas vidas. Também, lembremos que, na oração do “Pai Nosso”, não pedimos para não sermos tentados, mas sim para não sucumbir, não cair na tentação. Pedindo assim, Ele nos dará a força para resistir. No fundo, para buscar acabar com algum sofrimento, temos que fazê-lo colocando nosso olhar em Deus, que está por cima de nós.

Reconhecer que somos seres em relação nos leva também a tomar consciência de que somos seres chamados à responsabilidade, em primeiro lugar, com a própria vida. A nossa vida é missão, a nossa vida é para os outros. Por isso, a importância dos vínculos entre nós, membros da Igreja, do Corpo Místico de Cristo. O Catolicismo envolve necessariamente a dimensão social, pela unidade da comunidade humana.

Somos Família Espiritual, somos Comunidade, somos a Comunhão dos santos! Temos que acreditar na santidade, pois é essencial para saber lidar com o desafio do suicídio.

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