Ódio ao Papa? Algumas luzes para navegar em tempos sombrios

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Provavelmente você já leu ou escutou, nas últimas semanas, muitas críticas ao Papa Francisco, especialmente devido às opiniões que manifestou a respeito da questão dos homossexuais (diga-se de passagem, pois não é o objetivo do meu artigo, que as palavras do Papa foram distorcidas pela mídia: o Papa não fala sobre “união civil” para homossexuais, mas de uma “lei de convivência civil” para homossexuais no contexto daqueles que são rejeitados pelas próprias famílias). Além de muitas críticas, possivelmente você também leu ou escutou alguns comentários muito pesados, beirando um certo ódio que habita em alguns corações. Curiosamente, a maioria desses comentários não vem de fora da Igreja, mas de dentro dela. O que pensar de tudo isso?

Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que, neste artigo, não pretendo manifestar minha opinião pessoal sobre os últimos comentários feitos pelo Santo Padre. Existem tanto argumentos que se pode usar para tentar provar que o Papa Francisco é um Papa excelente que está guiando a Igreja de forma correta, como argumentos para tentar provar que ele é o pior Papa que a Igreja já teve (já escutei, pessoalmente, as duas opiniões), afastando os fiéis de Deus. Prefiro não entrar neste diálogo.

Pelo contrário, gostaria de deixar um questionamento: você, como Católico, realmente acredita na promessa feita por Jesus de que as portas do inferno nunca prevalecerão contra a Igreja (cf. Mt 16,18)? Você tem a plena certeza em seu coração de que Cristo mesmo está ao timão da Barca, navegando tanto nos dias de luz como nos dias escuros? Como Católicos, devemos acreditar que, por mais que o Papa seja o Vigário de Cristo na terra, a Igreja continua sendo de Cristo, e Ele está no comando.

Faço esse questionamento porque me parece que algumas pessoas já entraram numa espécie de desespero com relação ao Papa Francisco e com relação à Igreja atual. Não me interpretem mal: nem tudo é perfeito na Igreja hoje (nunca foi), mas confiar em que Cristo não soltou o timão da Barca deve trazer uma serenidade profunda e uma atitude interior/espiritual de confiança que é mais forte que as emoções que possam surgir dentro de nós a respeito do Papa. A nossa fé deve estar colocada em Cristo, e em mais ninguém (cf. 2 Tm 1,12).

Um último ponto que gostaria de destacar é o seguinte: você tem o direito de concordar ou de não concordar com as opiniões pessoais do Papa (e de qualquer outro membro da Igreja). Você também tem o direito de manifestar a sua opinião sobre ele. Mas você não tem o direito de faltar na caridade para com ele, manifestando exteriormente julgamentos e/ou ódio. São duas coisas muito diferentes, pois a primeira constrói e edifica, enquanto a segunda só destrói e divide.

Convido a todos vocês a rezarem pelo Papa Francisco, legitimamente escolhido e instituído Vigário de Cristo na terra, especialmente se você descobre um pouco desse ódio em seu coração, ou se você tende a fazer julgamentos morais sobre ele.

Publicado originalmente no Portal A12

Craig Kinneberg
Nasceu na cidade de Spokane, no estado do Washington, nos Estados Unidos, e se mudou a Phoenix, Arizona quando tinha 13 anos. Aos 20 anos de idade, ingressou no Sodalício de Vida Cristã e morou no Peru durante 3 anos para sua formação inicial. Em 2013, se mudou a São Paulo, Brasil, onde atualmente reside, ajudando na missão apostólica da Família Sodálite, especialmente fazendo trabalho pastoral com jovens. Completou os estudos filosóficos, e agora estuda teologia, em vistas ao sacerdócio.

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