A amizade segundo a Bíblia

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Em Eclesiástico 6, 5-17 podemos encontrar uma das mais famosas descrições bíblicas da amizade no antigo testamento. Lendo a passagem com atenção podemos tirar muitos frutos para aprender a vive-la verdadeiramente. A seguir vamos tentar fazer uma leitura pausada e tirar algumas dessas “dicas”, mas tendo sempre em mente que além do sentido literal, a Bíblia possui outros sentidos mais profundos que apontam à plenitude da revelação que é Jesus, que chamou os seus discípulos de amigos e deu o exemplo com a sua vida de como se encarna uma autêntica amizade.

“Sejam numerosas as tuas relações, mas os teus conselheiros, um entre mil” (v.6)

Esse versículo lembra aquele lugar comum tantas vezes escutado: “Tenho muitos conhecidos, mas amigos de verdade eu posso contar nos dedos”. E parece que a Bíblia está de acordo com que uma boa amizade exige uma série de características que não se podem dar em todas as nossas relações. “Um entre mil”, ou seja, são raros os que de verdade entram em nosso interior e nos conhecem a ponto de poder ajudar-nos com conselhos bons que nos levem pelos caminhos do Senhor. É preciso estar atento para não escutar conselhos de quem não deve dar.

“Se queres um amigo, adquire-o pela prova e não te apresses em nele confiar” (v. 7)

Que interessante esse versículo. Em uma cultura do descartável como a que vivemos hoje, inclusive as amizades parecem mudar rapidamente. Mas será que são verdadeiras amizades essas que vão e vem com o vento? A Palavra de Deus parece sugerir que um bom amigo precisa ser provado, assim como o ouro se prova no crisol. É preciso ser desconfiado? Talvez a melhor palavra seja que é preciso ser prudente. Não se deixar enganar facilmente pelas aparências.

“Amigo fiel é poderoso refúgio, quem o descobriu, descobriu um tesouro” (v. 14)

Essa talvez seja a parte mais famosa de toda a passagem. Ela parece ser uma consequência do que falamos antes. Uma vez provado, de verdade, um amigo que se mostra fiel é realmente um porto seguro, onde podemos descansar das lutas da vida, compartilhar o peso que estamos carregando e as alegrias que vamos vivendo. É um tesouro, e muito raro (“Um entre mil seja seu conselheiro”).

“Aquele que teme ao Senhor regra bem suas amizades, pois tal como ele é, assim é seu amigo” (v. 17)

Esse versículo é um pouco difícil de entender, mas coloquei aqui porque a nota de rodapé da minha bíblia explica um dos pontos mais importantes, ao meu ver, sobre a amizade quando comenta essa passagem. Ela diz: “O temor de Deus deve ser cimento da amizade autêntica”. Ou seja, a base de uma verdadeira amizade é ter Deus no centro dessa relação como o que une uma pessoa a outra. Isso é o mais importante, tanto que podemos dizer que a verdadeira amizade é aquela que leva a Cristo.

Todas essas “dicas” se resumem naquilo que disse e depois fez Jesus: “Ninguém tem maior amor do que o que dá a vida pelo seu amigo”. E continua: “Vós sereis meus amigos se fizerem o que eu mando”. Não porque Ele quer ser alguém autoritário, mas porque Ele sabe que se caminhamos por seus caminhos, seremos amigos de Deus e amigos em Deus. Única forma verdadeira de amizade.

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