A cruz continua incomodando

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O cristianismo realmente incomoda. Aliás, o próprio Senhor Jesus foi, é e será um “sinal de contradição” e diante dEle e da sua verdade ninguém fica indiferente. Os que não querem abrir-se à verdade ou querem continuar teimosamente apegados à “ditadura do relativismo” terminam lutando por tirar o próprio Cristo na sua frente.

Dias atrás, a Corte Européia de Direitos Humanos (direitos humanos entre aspas) condenou a Itália por exibir crucifixos nas salas de aula das instituições educativas e votou uma lei que obrigaria a tirar todas as cruzes das escolas e colégios. A cruz, que é, segundo a Sagrada Escritura, “escândalo para judeus e loucura para os gregos”, parece que continua sendo incompreendida, rejeitada e incômoda também para os supostos homens das leis do mundo contemporâneo. Aqueles que se auto-titulam os sábios do nosso tempo são os mais ignorantes em relação à verdade e são também, como diz São Paulo, “inimigos da Cruz de Cristo”. Terminam rejeitando aquilo que lhes trouxe a vida verdadeira. Cospem no próprio prato. Mas isso não é novidade.

Diante dessa “criativa medida”, por não dizer mais, a Santa Sé Apostólica difundiu uma nota do diretor de Imprensa do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, manifestando sua rejeição à sentença e recordou que o crucifixo sempre foi um símbolo de amor: “O crucifixo foi sempre um sinal de oferecimento de amor de Deus e de união e acolhida para toda a humanidade. Lamento que seja considerado como um sinal de divisão, de exclusão ou de limitação da liberdade. Não é assim, e tampouco é tal o sentir comum do nosso povo”, sustenta o sacerdote. Considera que “em particular, é grave querer marginar do mundo educativo um sinal fundamental da importância dos valores religiosos na história e na cultura italiana. A religião oferece uma contribuição preciosa à formação e ao crescimento moral das pessoas, e é um componente essencial da nossa civilização. É errôneo e míope desejar excluí-la da realidade educativa”.

Termina dizendo que “surpreende que um tribunal europeu intervenha seriamente em uma matéria ligada muito profundamente à identidade histórica, cultural, espiritual do povo italiano. Não é por este caminho que se atrai a amar e compartilhar mais a idéia européia, que como católicos italianos, defendemos firmemente desde as suas origens. Parece que quer desconhecer o papel do cristianismo na formação européia, quando este foi e segue sendo essencial”.

Junto com o Secretário do Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, que em nome do Santo Padre também se manifestou, poderia dizer, lembrado minha última coluna publicada neste jornal, que “a sociedade do terceiro milênio nos deixa somente as abóboras (do Halloween) das festas recentemente celebradas e elimina os símbolos mais queridos”.

A cruz não gera discriminação (que é o argumento utilizado pela Corte). Ela é imagem da revolução cristã que difundiu pelo mundo a idéia da igualdade entre os homens e a laicidade das instituições que a Corte pretende defender é um valor muito distinto à negação do papel do cristianismo na formação da nossa cultura. Ao mesmo tempo, eu duvido de coração de que a proibição existisse se começassem a aparecer lindas meias luas nas salas de aula.

Para aqueles que entendem o que significa uma cruz, ela se converte na maior vitória, no maior símbolo do amor e da entrega, no sinal que aponta o horizonte e o caminho a ser vivido, no altar onde brilhou a nossa reconciliação e salvação. Terminando de ler isto, busque, olhe, toque uma cruz… não tenha medo dela, como muitos (“sábios”) tem.

Pe. Andrés E. Machado, do Sodalício de Vida Cristã

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