A Imaculada Conceição de Maria

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Em nosso movimento, o Movimento de Vida Cristã, a advocação que temos piedade, a Nossa Senhora da Reconciliação, evoca o mistério da Imaculada Conceição de Maria.

Nós, brasileiros, também somos devotos de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Por sua intercessão temos obtido inúmeros milagres. A imagem da Mãe Aparecida que foi encontrada no Rio Paraíba e a qual temos tanta devoção é a da  Imaculada Conceição, que representa uma verdade de fé que gostaria de aprofundar agora.

Essa verdade de fé (dogma) foi proclamada no dia 8 de dezembro de 1854 pelo Papa Pio IX na Bula Ineffabilis Deus e diz o seguinte: “A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.”

Preservada do pecado original

A primeira coisa que devemos entender é que Nossa Senhora foi preservada do pecado original em virtude de sua grande missão: ser a Mãe de Jesus. Era necessário que Ela fosse toda pura para ser, como nos diz o Beato João Paulo II, “o primeiro «sacrário» da história para o Filho de Deus” (Ecclesia de Eucharistia, 55).

Todos nós nascemos com a mancha do pecado original e no nosso Batismo somos redimidos, purificados. Essa redenção se deve a Cristo, que com sua morte e ressurreição reconciliou toda a humanidade. Diante dessa verdade (a redenção universal de Cristo), alguns teólogos, dentre eles destaca-se Santo Tomás de Aquino, colocaram a seguinte dúvida quanto à Imaculada Conceição de Maria: Se a salvação de Cristo é universal, então como Maria poderia ter sido salva, se Ela nasceu sem pecado original? Ela não precisava da redenção de Cristo?

O Beato Duns Escoto ofereceu uma resposta satisfatória e permitiu seguir aprofundando no dogma: Ao ser preservada do pecado original, Maria é redimida por Cristo de modo ainda mais admirável. Introduz na teologia o conceito de redenção preservadora.

Resolvida a dúvida, podemos seguir entendendo o que significa o dogma da Imaculada Conceição. Maria é toda pura, não possui aquela inclinação ao pecado que todos nós temos, chamada concupiscência. Essa singular graça e privilégio de Deus e a ativa cooperação de Maria, a possibilitou permanecer livre em toda a sua vida de todo o pecado, inclusive venial. Portanto, a santidade de Nossa Senhora é plena. Essa verdade já estava presente implicitamente nos Padres da Igreja (Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, dentre outros) e foi afirmada no Concílio de Trento.

Durante a história essa verdade de fé foi bem aceita pelos fiéis, que em sua sabedoria popular encontraram o seguinte motivo para justificar essa graça na vida de Maria: Cristo não poderia permitir que sua Mãe estivesse manchada em nenhum momento de sua vida.

Fundamentos bíblicos da doutrina da Imaculada Conceição

Na Sagrada Escritura existem duas passagens que ajudaram na reflexão da Igreja sobre a fé de que Maria tinha que ter nascido imaculada.

A primeira passagem está nos inícios da história da salvação e diz assim: “Porei hostilidade entre ti e a mulher, entre tua linhagem e a linhagem dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15). Essa passagem é chamada na tradição da Igreja de Proto-Evangelho (o primeiro anúncio da Boa Nova). Vale a pena destacar nessa passagem o grande amor que Deus nos tem: no mesmo instante em que é cometido o pecado original, Ele já nos dá esperança de salvação. Da linhagem da mulher nasceria aquele que combateria a linhagem da serpente: Cristo. Nesse versículo cheio de esperança, percebemos que Deus promete colocar uma inimizade entre Maria e a serpente e também entre a sua linhagem (Cristo) e a da serpente. Cristo e Maria tiveram as mesmas inimizades contra o diabo. Podemos concluir então que se a inimizade de ambos é total, é possível afirmar que Maria já nasceu sem qualquer amizade com o demônio, sem qualquer mancha de pecado e permaneceu assim durante toda a sua vida.

A outra passagem encontramos no Novo Testamento. Narra o momento da Anunciação do anjo Gabriel (nome que significa mensageiro de Deus) a Maria, onde sua saudação nos dá luzes para entender melhor a verdade de fé que estamos aprofundando: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1,28).

Maria é denominada pelo anjo como a “cheia de graça”, aquela que possui a plenitude da graça necessária para a sua grande missão: ser a Mãe de Jesus. Essa santidade de vida foi entendida pela Igreja ao refletir sobre a passagem, deveria estar presente desde o primeiro instante de sua vida, ou seja, desde a sua concepção.

Sermos puros como Maria

Toda essa reflexão sobre a vida de Nossa Senhora deve nos levar à resolução de sermos puros e santos como Ela, reconhecendo que somos fracos e que precisamos da graça de Deus para alcançar essa meta. Devemos pedir a Deus como o salmista: “Criai em mim um coração que seja puro” (Sl 50,12). É necessário tomar a firme decisão de como Ela, cooperando com a graça de Deus, eliminar o pecado de nossas vidas. Temos a Ela como modelo e intercessora de todas as graças que precisamos para isso. Basta querermos e deixarmos que a Mãe nos guie. Peçamos então a sua ajuda!

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Leigo consagrado no Sodalício de Vida Cristã. Formado em Filosofia e Análise de Sistemas. Estudante de Teologia.

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