A sabedoria e a força da Cruz – 1Cor 1,26

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“Vede, pois, quem sois, irmãos, vós que recebestes o chamado de Deus; não há entre vós muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de família prestigiosa” (1Cor 1,26)

O versículo que meditamos se encontra no primeiro capítulo da primeira carta aos coríntios, depois de uma saudação inicial, uma ação de graças a Deus e uma exortação à unidade dentro da comunidade cristã, face aos conflitos e divisões existentes ao interior da comunidade de Corinto.

A resposta para a realidade humana, e também para a realidade concreta dos coríntios, é olhar para a Cruz do Senhor Jesus, onde se encontra a nossa salvação. A eficácia da Cruz para nos salvar coloca em evidência a precariedade das ofertas do mundo, cuja força e sabedoria são aparentes. Quem coloca sua segurança nos valores do mundo, no poder, no ter, no possuir prazer, mais cedo ou mais tarde se depara com o vazio e o sem sentido da própria vida. Somente o Senhor Jesus nos oferece o cento por um nesta vida e a vida eterna no Céu. Somente vivendo o amor, cuja plenitude Ele nos mostra do alto da Cruz somos realmente felizes.

Mas, devido a fraqueza da nossa condição humana, sempre sentiremos uma atração pelas falsas seguranças que o mundo oferece. É o que acontece com os coríntios, aos quais são Paulo se dirige. Parece que eles se esqueceram de olhar para a Cruz e agora buscam seguranças humanas: a sabedoria e as especulações vãs dos gregos ou as leis dos judeus, apresentadas por si sós como fortes para salvar.

Diante dessa sabedoria e força aparentes, Deus oferece na Cruz a verdadeira sabedoria e a verdadeira força. Santo Tomás refere-se à Cruz como um livro aberto, do qual podemos aprender muito sobre como viver para alcançar a verdadeira felicidade aqui na terra e a vida eterna no céu (Cf. Collatio 6 super Credo in Deum). O conhecimento que Cristo crucificado tem da natureza humana, tal como nos lembra a Carta aos Hebreus, não é um conhecimento apenas teórico, mas um adquirido por meio do sofrimento na Cruz. Nós sabemos quem somos realmente quando contemplamos a Cruz que mereceu a nossa salvação. Por outro lado, a Cruz nos mostra também a verdadeira força: a força do amor que é capaz de criar em cada um de nós homens e mulheres novos. Em certa ocasião o então Cardeal Ratzinger dizia: é muito fácil destruir, mas a verdadeira força se mostra na capacidade de criar. Na verdade, somente Deus é capaz de criar do nada. Os seres humanos podemos dizer que somos criadores apenas por um uso analógico do verbo “criar”. Criamos por participação com o ato criador de Deus, nos tornamos seus cooperadores porque assim Ele quis.

Como uma prova de que o que é sábio e é forte aos olhos do mundo, não se sustenta diante da sabedoria e da força de Deus, o apóstolo lembra os coríntios que entre eles não há muitos sábios ou fortes aos olhos do mundo e, mesmo assim, Deus os escolheu para ser seus discípulos, sal da terra e luz do mundo, para anunciar o Evangelho aos seus contemporâneos. Isso para que ficasse claro quem é o autor da salvação do gênero humano. Não somos nós, com a nossa sabedoria e a nossa força, que vamos transformar o mundo. É Deus, com o qual estamos chamados a cooperar, segundo o máximo das nossas capacidades e possibilidades, de acordo com a oração do Fiat. NEle, e não nas nossas capacidades é que temos que depositar a nossa confiança. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida para todos os seres humanos.

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