As sete dores de Nossa Senhora

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Como preparação para a Semana Santa, gostaria de meditar com vocês sobre as 7 dores de Nossa Senhora. Dor-alegria. Binômio tão presente na vida daquela que foi escolhida para ser a Mãe de Jesus. O objetivo desta meditação é claro: aproximar-nos ao Coração sofrido do Senhor a partir do Coração Imaculadamente doído de Nossa Senhora. Sim, imaculadamente doído. A natureza imaculada de Maria, não só faz referência a que Maria, ao não possuir pecado, não coloca travas ao amor, ama com todo o seu ser. Refere-se também a que não foge do sofrimento, como nós. Experimenta-o com a dor própria de quem expõe totalmente seu coração ao amor. Talvez aqui encontremos uma chave interessante para aproximar-nos ao amor de Jesus, centro de nossa meditação especialmente nos dias da Semana Santa. Se esta meditação consegue ser uma primeira aproximação ao Coração de Maria e, a partir dele, ao Coração de Jesus, terei alcançado o meu desejo.

1ª. Dor – Apresentação de Jesus no templo

Quarenta dias após o parto, Maria completa os rituais de purificação exigidos à mulher com motivo de dar à luz. Ao mesmo tempo, como fiel seguidora das tradições de Israel, apresenta o seu primogênito no Templo, para consagrá-lo ao Senhor. Lá chegando, encontra-se com Simeão, ancião, que esperou toda uma vida, como pobre de Iahvé, para contemplar a salvação de Deus. Ao aproximar-se à Família de Nazaré e ao fitar os olhos em Jesus, exclama o “Nunc Dimittis”, o “pode deixar teu servo ir em paz, porque meus olhos contemplaram a salvação”. Junto à essa alegria que vale uma vida, profetiza o sofrimento que há de experimentar a Virgem, com tal de que, em Jesus, possam revelar-se os pensamentos mais íntimos de muitos corações: “…a ti, uma espada te transpassará o coração”. Maria não entende tudo, mas tem uma nova ocasião de pronunciar o seu “Faça-se”, seja na alegria, seja na dor.

Para que saibamos sempre confiar em Deus..
.
Maria, Mãe de Jesus e nossa, intercedei por nós.

Ave Maria… Glória…

2ª. Dor – A fuga para o Egito

Logo após o nascimento, o aviso através de um sonho, advertindo que não voltassem a Nazaré, pois o menino estava sendo perseguido para que dessem fim à sua vida. Deus novamente se manifesta. O que antes foi uma mensagem de um anjo na Anunciação, agora é uma admoestação em um sonho. Deus fala. Talvez esse seja o consolo para o ser humano que caminha sobre este mundo. Em meio às dificuldades, Deus se manifesta de várias maneiras. Deve-se estar atento. Como Maria. Maria escuta e põe-se novamente pelos caminhos de Deus –que tanto contrastam às vezes com os caminhos seguidos pelos homens– e foge ao Egito, terra estrangeira, com a esperança do retorno, para que possa apresentar aos seus o menino como o Salvador de todo o mundo.

Para que saibamos andar sempre pelos caminhos de Deus…

Maria, Mãe de Jesus e nossa, intercedei por nós.

Ave Maria… Glória…

3ª. Dor – Perda do Menino Jesus

Todos os anos, os judeus devotos encontravam-se no Templo, em Jerusalém. O Templo era o sinal por excelência de que Deus habitava junto ao Povo, de que tinha feito a sua casa em Israel. No Templo, agradecia-se pela presença salvífica de Deus e pedia-se que essa salvação fosse sempre atualizada em seu povo. Assim sendo, aí devia estar a Família de Nazaré. E estava. A Família de Nazaré em meio a uma família maior, a dos judeus devotos. Nesse clima familiar, dá-se um desencontro: Jesus não está mais com eles. Maria sofre como mãe e não descansará até encontrá-lo. Ao voltar ao Templo, encontra-se com Jesus e lhe pergunta –como qualquer mãe – “como pudeste fazer isto conosco”? E a resposta de Jesus é: “Não sabíeis que devia estar na casa do meu Pai”?. Maria aprende a ser mãe também através da pedagogia da dor. A dor da perda e a alegria do reencontro. Acaso não podemos ver nesses 3 dias uma preparação para a cruz e a ressurreição?

Para que saibamos vez por trás das perdas o horizonte do reencontro…

Maria, Mãe de Jesus e nossa, intercedei por nós.

Ave Maria… Glória…

4ª. Dor – Doloroso encontro no caminho do Calvário

Não temos relato algum no Evangelhos sobre o encontro de Jesus e Maria no caminho da Cruz. Mas é impossível não encontrar a Mãe ao lado de Jesus. Sempre. Antes, durante e depois da Crucifixão. Difícil medir a dor de Maria ao acompanhar o seu Filho em seu injusto juízo e carregando débil, muito débil a Cruz. Tendo a pensar que se aproxima ao infinito! A verdade que é atropelada, a justiça que é manipulada… Maria é capaz de ver no seu Filho a radicalidade da maldade da qual os homens são capazes. Parece que todas as forças do mal se unem contra Jesus. E Maria está aí, junto ao Seu Filho. Maria carrega a Cruz com Cristo, carrega-a nas profundezas do seu Coração. Aí onde a confiança em Deus e o amor-sofrimento pelo seu Filho se unem e aguardam a vitória final de Deus.

Para que saibamos carregar a Cruz com Jesus…

Maria, Mãe de Jesus e nossa, intercedei por nós.

Ave Maria… Glória…

5ª. Dor – Aos pés da Cruz

“Junto à cruz de Jesus estava a sua mãe” (Jo 19,25) Difícil descrever o momento. Se ver um filho morrer para uma mãe já é algo indesejável, quanto mais morrer em uma cruz. Os dois madeiros em forma de espada parecem cumprir a profecia de Simeão: “uma espada transpassará a tua alma”. Sim, transpassou. Não derramou sangue, mas multidões de lágrimas. De alguma forma, Maria morreu lá dentro, na intimidade do seu espírito. Nela “a dor mata”, mas “o amor ressuscita”. Ainda com toda a dor, lá está Ela. Com os olhos no Filho. Ter vivido sempre com os olhos fitos n`Ele, lhe dá as forças agora para continuar olhando. Talvez tenha voltado a perguntar a Jesus nesse momento a mesma pergunta de quando no Templo: “Por que fizeste isso conosco?” Mas neste caso Ela já sabe a resposta. Ela foi aprendendo a conhecer o Filho e é capaz de ler as entrelinhas do acontecimento. Jesus carrega em si os pecados da humanidade. Também Maria o faz, pois nesse momento carrega o seu Filho na firmeza de sua alma, a qual permite que esteja de pé, mesmo na Cruz.

Para que saibamos ser firmes nos momentos difíceis…

Maria, Mãe de Jesus e nossa, intercedei por nós.

Ave Maria… Glória…

6ª. Dor – Uma lança atravessa o Coração de Jesus

Jesus já estava morto. Mas queriam ter certeza. Talvez aí o que conhecemos como o “golpe de misericórdia”. Não da lança soldados. Mas é o momento no qual brotam sangue e água do lado ferido de Jesus. Sangue e água. A Igreja sempre os viu como um símbolo do Batismo e da Eucaristia. Da Igreja que nasce do lado ferido de Jesus. Maria vê o processo da morte do Filho, mas com o seu olhar impregnado de fé, vê, lá no fundo de sua alma, o nascimento da Igreja, todos os filhos que nascerão do sacrifício do seu Filho. Antes único, agora com muitos irmãos. Uma fundação sem palavras, mas com a eloquência do gesto… O sofrimento parece não ter fim. Maria, porém, continua de pé, esperando que o tirem da Cruz para abraçá-lo.

Para que saibamos encontrar a Jesus na Igreja…

Maria, Mãe de Jesus, intercedei por nós.

Ave Maria… Glória…

7ª. Dor – Jesus é sepultado

Silêncio. Jesus está morto. Os que o condenaram vão deixando o lugar. Jesus que salvou a mulher adúltera do apedrejamento, que não permitiu que a condenassem, que evitou a sua morte, não quis evitar a sua. Foi Ele mesmo condenado e crucificado. Não ouviram a justiça da misericórdia. Não aprenderam com Jesus e mataram “o Mestre”. Alguns, porém, escutaram e, ainda com medo, aprenderam. José de Arimateia e Nicodemos conseguem permissão para dar sepultamento ao corpo inerte de Jesus. Colocam Jesus na tumba. Mas, antes, Jesus já estava na tumba do coração de Maria. Sem negar o realismo histórico da Ressurreição, atrevo-me a dizer que foi aí o primeiro lugar da ressurreição de Jesus: o coração da Mãe. Talvez por isso os evangelistas não mencionem a Maria indo à tumba vazia para encontrar o Seu Filho. Ela já o sabia! Ela espiritualmente já tinha estado com Ele. Ela que tanto sofreu, como ninguém se alegrou ao confirmar-se a esperada Ressurreição.

Para que saibamos esperar de mãos dadas com Maria…

Maria, Mãe de Jesus e nossa, intercedei por nós.

Ave Maria… Glória…
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Que esta breve meditação nos ajude a viver os mistérios deste tempo, com a certeza de que a morte não há de ter a última palavra em nossas vidas e de que a dor, quando bem assumida, quando assumida em Jesus, floresce, e transforma qualquer situação de escuridão em luz que tudo ilumina.

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