DOMINGO DE RAMOS: “Hosana!… Crucifica-o!”

1971

I. A PALAVRA DE DEUS

Procissão de Ramos: Lc 19, 28-40: “Bendito o que vem em nome do Senhor!”

Naquele tempo:28Jesus caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém.

29Quando se aproximou de Betfagé e Betânia, perto do monte chamado das Oliveiras, enviou dois de seus discípulos, dizendo:

30‘Ide ao povoado ali na frente. Logo na entrada encontrareis um jumentinho amarrado, que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui. 31Se alguém, por acaso, vos perguntar: ‘Por que desamarrais o jumentinho?’, respondereis assim: ‘O Senhor precisa dele’.’

32Os enviados partiram e encontraram tudo exatamente como Jesus lhes havia dito. 33Quando desamarravam o jumentinho, os donos perguntaram:

– ‘Por que estais desamarrando o jumentinho?’

34Eles responderam:

– ‘O Senhor precisa dele.’

35E levaram o jumentinho a Jesus. Então puseram seus mantos sobre o animal e ajudaram Jesus a montar.

36E enquanto Jesus passava, o povo ia estendendo suas roupas no caminho.

37Quando chegou perto da descida do monte das Oliveiras, a multidão dos discípulos,  aos gritos e cheia de alegria, começou a louvar a Deus por todos os milagres que tinha visto. 38Todos gritavam:

– ‘Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!’

39Do meio da multidão, alguns dos fariseus disseram a Jesus:

– ‘Mestre, repreende teus discípulos!’

40Jesus, porém, respondeu:

– ‘Eu vos declaro: se eles se calarem, as pedras gritarão.’

Is 50, 4-7:Não desviei meu rosto das bofetadas e cusparadas; sei que não serei humilhado.

4O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo.

5O Senhor abriu-me os ouvidos;  não lhe resisti nem voltei atrás. 6Ofereci as costas para me baterem e  as faces para me arrancarem a barba;  não desviei o rosto de bofetões e cusparadas.

7Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado.

Sal 21, 8-9.17-20.23-24: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”

8Riem de mim todos aqueles que me vêem,
torcem os lábios e sacodem a cabeça:
9‘Ao Senhor se confiou, ele o liberte
e agora o salve, se é verdade que ele o ama!’

17Cães numerosos me rodeiam furiosos,
e por um bando de malvados fui cercado.
Transpassaram minhas mãos e os meus pés
18e eu posso contar todos os meus ossos.
Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam!

19Eles repartem entre si as minhas vestes
e sorteiam entre si a minha túnica.
20Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe,
ó minha força, vinde logo em meu socorro!

23Anunciarei o vosso nome a meus irmãos
e no meio da assembléia hei de louvar-vos!
24Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores,
glorificai-o, descendentes de Jacó,
e respeitai-o toda a raça de Israel!

Flp 2, 6-11:Humilhou-se a si mesmo; por isso,  Deus o exaltou acima de tudo. 

6Jesus Cristo, existindo em condição divina,não fez do ser igual a Deus uma usurpação,7mas ele esvaziou-se a si mesmo,assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens.

Encontrado com aspecto humano,8humilhou-se a si mesmo,fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz.

9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11e toda língua proclame : ‘Jesus Cristo é o Senhor’, para a glória de Deus Pai.

Lc 22,14 – 23,56: Paixão do Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Pela extensão da passagem, não a publicamos aqui) Pode ser acessada em http://liturgiadiaria.cnbb.org.br/app/user/user/UserView.php?ano=2016&mes=3&dia=20

II. COMENTÁRIOS

Aproximava-se já a celebração anual da Páscoa judia e Jesus, como todos os anos (ver Lc 2, 41), junto com seus Apóstolos e discípulos se dirige a Jerusalém para celebrar ali a festa.

Enquanto se encontra a caminho, o Senhor recebe uma mensagem premente de parte de Marta e Maria, irmãs de Lázaro: «Senhor, aquele a quem você quer, está doente» (Jo 11, 3). Imploravam ao Senhor que fosse a Betânia o mais breve possível para curar a seu irmão, que se encontrava em perigo de morte. O Senhor, em vez de apressar-se, espera uns dias mais mencionando que a enfermidade de seu amigo «não é de morte, é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela» (Jo 11, 4). Terminada a espera, dirige-se finalmente a Betânia, onde realiza um milagre que ultrapassa o limite de tudo o que um profeta teria podido fazer: devolver a vida a um cadáver que jazia já há quatro dias no sepulcro, e portanto se encontrava em um estado avançado de decomposição (ver Jo 11, 39-40).

O desconcerto inicial deu lugar à intensa euforia ao ver Lázaro sair vivo da tumba. Tão impactante e assombroso foi este milagre que muitos «vendo o que tinha feito, acreditaram nele» (Jo 11, 45). A espetacular noticia se difundiu rapidamente pelos arredores, de modo que muitos foram a Betânia para ver Jesus e Lázaro. Não era suficiente esse sinal para creditá-lo perante os fariseus e sumos sacerdotes como o Messias esperado? Não é difícil imaginar o estado de exaltação em que se encontrariam os Apóstolos e discípulos ao ver atuar seu Mestre com tal poder. Sem dúvida pensavam que afinal já se aproximava a hora de sua gloriosa e poderosa manifestação a Israel, a hora em que libertaria Israel da opressão de seus inimigos e finalmente instauraria o desejado Reino dos Céus na terra.

Ao chegar a espetacular noticia aos ouvidos dos fariseus em Jerusalém, estes se reuniram em conselho e se perguntavam: «O que fazemos? Porque este homem realiza muitos sinais. Se deixarmos que continue assim, todos acreditarão nele e virão os romanos e destruirão nosso Lugar Santo e nossa nação» (Jo 11, 47-48). Ao que parece, mais que a possível destruição do Lugar Santo, interessava-lhes não perder seu próprio prestígio e poder diante do povo. Foi então que «decidiram matá-lO» (Jo 11, 53). E como grande número de judeus, ao inteirar-se do acontecido, foi para Betânia não só para ver Jesus mas também Lázaro (ver Jo 12, 9), os sumos sacerdotes decidiram  matá-lo também, «porque por causa dele muitos judeus foram e acreditavam em Jesus» (Jo 12, 11). Impressiona a teimosia, a ambição e a cegueira daqueles fariseus e sumos sacerdotes: enquanto muitos pela evidência dos fatos se abriam à fé, estes não faziam senão endurecer mais o coração e negar a evidência dos sinais que assinalavam Jesus como o Messias.

Até esse momento o Senhor tinha insistido que não dissessem a ninguém que Ele era o Messias (ver Lc 8, 56; 9, 20-21). Mas agora, sabendo que logo ia ser “glorificado” (ver Jo 11, 4), quer dizer, que já se aproximava a hora de sua Paixão, Morte e Ressurreição, já perto de Jerusalém e acompanhado pela entusiasmada multidão, dá instruções a seus discípulos e organiza sua entrada messiânica na Cidade Santa: o Messias, como tinha sido anunciado pelos profetas, entraria em Jerusalém montado sobre um jumentinho, um jovem burro que ainda não tinha sido montado por ninguém: «Digam à filha de Sião: Eis aqui que seu Rei vem a ti, manso e montado em um asna e em um jumentinho, filho de animal de jugo» (Mt 21, 5; ver Is 62, 11; Zac 9, 9-10).

Não era estranho, naquele tempo, que pessoas importantes usassem um burrico para se transportar (ver Núm 22, 21ss). O Senhor pede um jumentinho que ninguém tivesse montado ainda, pois os judeus pensavam que um animal já empregado em usos profanos era menos idôneo para usos religiosos (ver Núm 19,2 ; Dt 15, 19; 21, 3; 1 Sam 6, 7). Só um jumentinho que não tivesse sido montado ainda era próprio para transportar o próprio Messias enviado por Deus.

A mensagem que o Senhor dava era muito clara: Ele era o Rei da descendência de Davi, o Messias que devia salvar seu povo. Nele finalmente se cumpriam as promessas divinas.

A mensagem foi compreendida perfeitamente pela entusiasmada multidão de discípulos e admiradores que o acompanhavam, de modo que enquanto o Senhor Jesus avançava para Jerusalém montado sobre aquele jumentinho alguns estendiam seus mantos no chão para que Jesus passasse sobre eles como sobre tapetes, enquanto muitos outros acompanhavam a jubilosa procissão agitando alegremente Ramos de palmeira, sinal popular de vitória e triunfo. Com estes gestos a entusiasmada multidão expressava seu reconhecimento de que Jesus era o Messias que traria a vitória a seu povo.

Durante a marcha, inflamados pelo entusiasmo e pela gritaria, todos bradavam uma e outra vez: «Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o reino que vem, de nosso pai Davi! Hosana nas alturas!» (Mc 11, 9-10). Os termos empregados são típicos. Ao dizer o que vem em nome do Senhor faziam referência ao Messias, e ao dizer o reino que vem… de Davi se referiam ao reino messiânico inaugurado pelo Messias, o filho de Davi.

Mas eles pensavam em um reino mundano, em uma vitória política, em um triunfo militar garantido por uma gloriosa intervenção divina. Certamente o Senhor se preparava para manifestar sua glória e certamente se dispunha a libertar seu povo, mas de outra opressão: a do pecado e da morte. A hora da manifestação de sua glória não seria outra senão a de sua Paixão e de sua elevação na Cruz (Evangelho).

Conhecendo seu doloroso destino, anunciado já antecipadamente a seus discípulos em repetidas oportunidades (ver Mt 16, 21; Lc 9, 22), Ele não resiste nem volta atrás (ver primeira leitura). Confiando em Deus, Ele se oferecerá a si mesmo, suportará o opróbrio e a afronta para a reconciliação de toda a humanidade.

Deus exaltou e glorificou o Filho que sendo de condição divina se rebaixou a si mesmo «até a morte e morte de Cruz» (ver a segunda leitura). Diante dEle todo joelho tem que dobrar-se e toda língua tem que confessar que Ele «é SENHOR para glória de Deus Pai».

III. LUZES PARA A VIDA CRISTÃ

A liturgia do Domingo de Ramos já nos introduz na Semana Santa. Associa dois momentos radicalmente contrapostos, separados tão somente por poucos dias de diferença: a acolhida gloriosa de Jesus em Jerusalém e sua implacável execução no Gólgota, o “hosana” transbordante de ardor e o desumano “crucifica-o!”.

Perguntamo-nos surpresos: O que aconteceu em tão breve lapso de tempo? Por que esta mudança radical de atitude? Como é possível que os gritos jubilosos de “hosana” (quer dizer: “salve-nos”) e “bendito o que vem” com que reconheciam e acolhiam o Messias-Filho de Davi se transformassem tão rápido em insultos, brincadeiras, golpes, intermináveis chicotadas e em um definitivo desprezo e rejeição: “A esse não! A Barrabás!… A esse crucifica-o, crucifica-o!”?

Uma explicação sem dúvida é a manipulação a que é submetida a multidão. Como acontece também em nossos dias, quem carece de sentido crítico tende a se render à “opinião pública”, “ao que dizem os outros”, deixando-se arrastar facilmente em suas opiniões e ações pelo que “a maioria” pensa, diz ou faz. Não fazem o mesmo hoje muitos inimigos da Igreja que achando eco nos poderosos meios de comunicação social apresentam “a verdade sobre Jesus” para que muitos filhos da Igreja gritem novamente: “crucifiquem-no” e “crucifiquem a sua Igreja”? Como naquele tempo, também hoje a “opinião pública” é manipulada habilmente por um pequeno grupo de poder que quer tirar Cristo do nosso meio (ver Lc 19, 47; Jo 5, 18; 7, 1; At 9, 23).

Mas a assombrosa facilidade para mudar de atitude tão radicalmente com respeito ao Senhor Jesus não deve nos fazer pensar tanto em “outros”, ou assinalar certos grupos de poder para nos sentirmos desculpados, deve nos fazer refletir humildemente em nossa própria volubilidade e inconsistência. Quantas vezes arrependidos, emocionados, tocados profundamente por um encontro com o Senhor, convencidos de que Cristo é a resposta a todas as nossas buscas de felicidade, de que Ele é O SENHOR, abrimos-lhe as portas de nossa mente e de nosso coração, acolhemo-lo com alegria e entusiasmo, com Palmas e gritos de vitória, mas poucos dias depois o expulsamos e gritamos “crucifiquem-no!” com nossas ações e opções opostas aos seus ensinamentos? Quantas vezes preferimos o “Barrabás” de nossos próprios vícios e pecados?

Também eu me deixo manipular muito facilmente pelas vozes sedutoras de um mundo que odeia a Cristo e busca arrancar toda raiz cristã de nossos povos e culturas forjados no calor da fé! Também eu me deixo influenciar muito facilmente pelas vozes enganosas de minhas próprias concupiscências e inclinações ao mal! Também eu me deixo seduzir muito facilmente pelas vozes sutis e aduladoras do Maligno que com suas ardilosas ilusões me promete a felicidade que desejo vivamente se em troca oferecer minha vida aos deuses do poder, do prazer ou do ter! E assim, quantas vezes, embora cristão de nome, grito com meu pecado: “A esse NÃO! Escolho Barrabás! Tire esse de minha vida! A esse, CRUCIFICA-O!”?

Como é importante aprender a sermos fiéis até nos menores detalhes de nossa vida, para não crucificar Cristo novamente com nossas obras! Como é importante sermos fiéis, sempre fiéis! Como é importante desmascarar, resistir e rechaçar aquelas vozes que sutil e habilmente querem nos pôr contra Jesus, para em vez disso construir nossa fidelidade ao Senhor dia a dia com as pequenas opções por Ele! Como é importante fortalecer nossa amizade com Ele mediante a oração diária e perseverante! Do contrário, no momento da prova ou da tentação, no momento em que escutemos as “vozes” interiores ou exteriores que nos convidem a eliminar o Senhor Jesus de nossas vidas, descobriremos como nosso “hosana” inicial se converterá em um traiçoeiro “crucifica-o”.

O que escolho eu? Ser fiel ao Senhor até a morte? Ou, covarde como tantos, conformo-me em seguir sempre como uma biruta na direção em que sopram os ventos deste mundo que ataca a Cristo, que ataca sua Igreja e a todos aqueles que são de Cristo?

IV. PADRES DA IGREJA

Santo André de Creta: «Venham, subamos juntos ao monte das Oliveiras e saiamos ao encontro de Cristo, que volta hoje de Betânia, e que se encaminha por sua própria vontade para aquela venerável e bem-aventurada Paixão, para levar a termo o mistério de nossa salvação. Vem, com efeito, voluntariamente para Jerusalém, o mesmo que, por amor a nós, desceu do Céu para nos exaltar com Ele, como diz a Escritura, acima de todo principado, potestade, virtude e dominação, e de todo ser que exista, a nós que jazíamos prostrados. Ele vem, mas não como quem toma posse de sua glória, com fausto e ostentação. Não gritará — diz a Escritura —, não clamará, não berrará pelas ruas, mas será manso e humilde, com aparência insignificante, embora lhe tenha sido preparada uma entrada suntuosa. Corramos, pois, com Ele que se dirige com presteza à Paixão, e imitemos os que saíam ao seu encontro».

Santo Ambrósio: «Como as multidões já conheciam o Senhor, chamam-lhe rei, repetem as palavras das profecias, e dizem que veio o filho de Davi, segundo a carne, há tanto tempo esperado».

São Beda: «Não se diz que o Salvador seja rei que vem exigir tributos, nem armar exércitos com o aço, nem brigar visivelmente contra os inimigos; mas sim que deve dirigir as mentes para levar os que creiam, esperem e amem, ao Reino dos Céus; e que queria ser rei de Israel é um indício de sua misericórdia e não para aumentar seu poder».

São Beda: «Uma vez crucificado o Senhor, como calaram seus conhecidos pelo temor que tinham, as pedras e as rochas o louvaram, porque, quando expirou, a terra tremeu, as pedras se romperam entre si e os sepulcros se abriram».

Santo Ambrósio: «E não é estranho que as pedras, contra sua natureza, publiquem os louvores do Senhor, pois se confessam mais duros que as pedras os que o tinham crucificado; isto é, a turba que pouco depois tinha que crucificá-lo, negando em seu coração ao Deus que confessou com suas palavras. Além disso, como os judeus tinham emudecido depois da paixão do Salvador, as pedras vivas, como diz São Pedro, celebraram-no».

V. CATECISMO DA IGREJA

A subida de Jesus para Jerusalém

  1. «Ora, como se aproximavam os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a firme resolução de Se dirigir a Jerusalém» (Lc 9, 51). Por esta decisão, indicava que subia para Jerusalém pronto para lá morrer. Já por três vezes tinha anunciado a sua paixão e a sua ressurreição. E ao dirigir-Se para Jerusalém, declara: «não se admite que um profeta morra fora de Jerusalém» (Lc 13, 33).
  2. Jesus recorda o martírio dos profetas que tinham sido entregues à morte em Jerusalém. No entanto, continua a convidar Jerusalém a reunir-se à sua volta: «Quantas vezes Eu quis agrupar os teus filhos como a galinha junta os seus pintinhos sob as asas!… Mas vós não quisestes» (Mt 23, 37b). Quando já avista Jerusalém, chora sobre ela e exprime, uma vez mais, o desejo do seu coração: «Se neste dia também tu tivesses conhecido o que te pode trazer a paz! Mas agora isto está oculto aos teus olhos» (Lc 19, 42).

A entrada messiânica de Jesus em Jerusalém

  1. Como vai Jerusalém acolher o seu Messias? Embora tenha sempre evitado as tentativas populares de O fazerem rei, Jesus escolheu o momento e preparou os pormenores da sua entrada messiânica na cidade de «Davi, seu pai» (Lc 1, 32). E é aclamado como filho de Davi e como aquele que traz a salvação («Hosana» quer dizer «então salva!», «dá a salvação»). Ora, o «rei da glória» (Sl 24, 7-10) entra na «sua cidade», «montado num jumento» (Zc 9, 9). Não conquista a filha de Sião, figura da sua Igreja, nem pela astúcia nem pela violência, mas pela humildade que dá testemunho da verdade. Por isso é que, naquele dia, os súditos do seu Reino, são as crianças e os «pobres de Deus», que O aclamam, tal como os anjos O tinham anunciado aos pastores. A aclamação deles: «Bendito o que vem em nome do Senhor» (Sl 118, 26) é retomada pela Igreja no «Sanctus» da Liturgia Eucarística, a abrir o memorial da Páscoa do Senhor.
  2. A entrada de Jesus em Jerusalém manifesta a vinda do Reino que o Rei-Messias vai realizar pela Páscoa da sua morte e da sua ressurreição. É com a sua celebração, no Domingo de Ramos, que a Liturgia da Igreja começa a Semana Santa.

VI. TEXTOS DA ESPIRITUALIDADE SODÁLITE

“Deus amou de tal forma o mundo que entregou o seu Filho único” (Jo 3, 16), “Ele foi provado como nós, em todas as coisas, menos no pecado”. (Heb 4, 15). O Filho de Deus se fez homem no seio de Santa Maria. Iniciava-se desta maneira nossa reconciliação definitiva com Deus Amor. Esta reconciliação alcançou seu ponto mais alto no mistério pascal do Senhor Jesus, quer dizer, em sua paixão, morte e gloriosa ressurreição de entre os mortos. Páscoa significa passagem, o trânsito de Jesus através da morte para a Nova Vida. Desta maneira, com sua morte destruiu nossa morte e com sua ressurreição restaurou nossa vida.

Ao longo da Quaresma, vamo-nos preparando para a comemoração e atualização deste acontecimento. Não existe na vida cristã outro fato mais importante. Todo o ano aponta para a celebração da Páscoa do Senhor, o mistério central de nossa fé.

O ultimo domingo da Quaresma, o domingo de Ramos, introduz as celebrações da Páscoa do Senhor. Nele comemoramos tanto a entrada triunfal do Senhor em Jerusalém – sinal de sua ressurreição vitoriosa – como o anúncio de sua Paixão. Jesus é aclamado pelo povo, para ser crucificado uns dias mais tarde.

Dor-alegria, morte-vida, sofrimento-gozo. Esta é a dinâmica presente durante todo mistério pascal e que nos ensina que não há cristianismo sem Cruz, não existe verdadeira vitória sobre o pecado e sobre a morte, se primeiro não se passar pela experiência da dor e do sofrimento (Jo 12, 25).

(Movimento de Vida Cristã, Caminho para Deus # 6: “O Santo Tríduo Pascal”.)

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