Geração JMJ – Alexandre Borges de Magalhães

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A juventude é uma etapa fundamental na vida de todo ser humano, pois para a maioria das pessoas é o período no qual se definem os alicerces, os valores e as convicções de base que constituirão as suas existências pelos anos de vida que venham a ter pela frente. Nas últimas décadas, determinados períodos históricos da juventude têm sido denominados como “gerações”, que se distinguem das demais por adotar certos padrões culturais, sociológicos e comportamentais que terminam sendo difundidos entre os jovens daquele determinado tempo.

Os primeiros foram os “baby boomers”, geração de jovens nascidos depois da Segunda Guerra Mundial e que se caracterizaram por uma aversão à violência. Por isso mesmo os “hippies”, membros desta geração, pregaram a “paz e o amor”.  Em geral eram jovens profundamente idealistas. Hoje eles têm entre 50 e 65 anos.

A geração seguinte é a chamada “geração X”, composta por jovens que nasceram no final dos anos 60 e nos anos 70, tendo sido adolescentes e jovens nos anos 80. O “X” representava a incerteza com relação ao futuro, pois aqueles jovens cresceram em um ambiente de Guerra Fria, no qual o fim do mundo como conseqüência de uma possível guerra nuclear não era uma realidade tão distante. Estes foram os primeiros adolescentes e jovens a crescerem contemporâneos à tecnologia. Foram mais pragmáticos que os “boomers” e se caracterizavam por ter posturas mais firmes e radicais. Por exemplo: para um “X” não era plausível gostar de rock e de funk. Ou era um tipo de música ou o outro, mas nunca ambos. Eles hoje estão entre os 35 e 50 anos.

Posteriormente, os jovens nascidos nos anos 80 formariam o seguinte grupo, conhecido como “geração Y”. Esta geração tem a peculiaridade de haver presenciado em seus poucos anos de vida, avanços tecnológicos mais significativos do que os registrados em muitos séculos de história. São “multifuncionais”, pois desde crianças desenvolveram a capacidade de fazer muitas coisas em paralelo. Além de ter tido acesso à tecnologia, também desfrutaram mais amplamente dos bens de consumo. Os “Y” preferem sempre a inovação. Hoje têm entre 20 e 35 anos.

Por sua vez, os adolescentes de hoje, nascidos a partir da metade dos anos 90, são a “geração Z”. Se bem ainda é uma geração em formação, já é notório que se caracterizam por buscar resultados imediatos, estão sempre conectados e para eles não há muita diferença entre mundo real e virtual.

Certamente poderíamos abundar muito mais no perfil de cada geração e poderíamos também destacar muitos mais elementos positivos e negativos de cada uma das gerações, mas não é o objetivo no momento. O importante agora é ressaltar o surgimento de outra geração, transversal a todas as anteriores que mencionamos: trata-se da “geração JMJ” que foi formada no interior da Igreja e que busca nutrir seus paradigmas de vida a partir da verdade perene do Evangelho, encarnando-o nas realidades concretas do seu próprio tempo. De forma surpreendente, esta geração JMJ é capaz de reunir mais jovens de que qualquer outra geração foi capaz. Woodkstock ou Rock in Rio não chegam nem à sombra da quantidade de jovens de uma JMJ, como por exemplo os mais de 4 milhões nas Filipinas ou os 2 milhões em Madri.

Mas a geração JMJ não se contrapõe às anteriores, pelo contrário, as integra, pois foi sendo formada a partir da experiência de fé dos jovens de todas elas, através das últimas décadas. Jovens que vêem renovando a Igreja, a partir da sua abertura à graça de Deus e de sua cooperação humana generosa. Jovens que se caracterizam por ter orgulho de professar a sua fé católica, que expressam com grande alegria e entusiasmo o seu amor ao Senhor, a Santa Maria, ao Papa, à Igreja. São moças e rapazes que são capazes de incorporar o que de mais valioso tiveram as gerações anteriores: esperança, altos ideais, firmeza, coerência, criatividade, liberdade evangélica. Jovens que encarnam o pedido do grande Beato João Paulo II, iniciador das JMJ: “Não tenhais medo de abrir as portas do vosso coração a Cristo!” (Cf. Mt 14, 27).

Esta geração tem o seu próximo encontro marcado com o Santo Padre, o Papa Francisco, no Brasil, na Cidade Maravilhosa. O Rio de Janeiro será a capital mundial da juventude durante uma semana que com certeza será memorável, cheia de abundantes graças do Altíssimo, sob a guia de Nossa Senhora Aparecida. Na Rio 2013, a geração JMJ deixará mais uma vez a sua marca, falará de modo eloqüente ao mundo e dará um passo mais em sua missão de ir e “fazer discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19).

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