Intercessão dos santos e de Maria

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Porque pedir a intercessão de qualquer um, se podemos pedir diretamente para Deus? Essa é uma pergunta que parece ser muito razoável, não é verdade? Porque se Deus é todo poderoso, Ele é capaz de responder todas as nossas preces. Aliás, Ele parece ser o único que é realmente capaz de o fazer. Dessa forma, apelar para qualquer tipo de intercessão de santos ou da própria mãe de Jesus pode parecer meio sem sentido. De fato, é isso que muitos protestantes criticam no catolicismo. Existe algum fundamento para que peçamos ajuda a outras pessoas que não a Deus?

Olha, partamos do princípio de que isso tudo é um mistério para nós. E quando falamos de mistério, falamos de uma realidade da qual podemos conhecer algumas coisas, mas só conheceremos plenamente quando estivermos cara a cara com Deus na vida eterna. Então, se buscamos uma ciência exata que nos responda matematicamente o processo da intercessão dos santos, digamos logo que é uma empresa fadada ao fracasso, pelo menos desde o ponto de vista da nossa fé católica. Mas o que podemos saber então?

Podemos usar uma analogia com a vida cotidiana. É um fato que no dia a dia nós nos ajudamos. Nenhum ser humano pode viver, por exemplo, se não foi ajudado em sua infância. Mas mesmo quando nos dizemos mais independentes, estamos diariamente dependendo dos outros. Quando vamos ao supermercado, por exemplo, dependemos dos produtores que permitiram os que os produtos existissem, dos transportadores, dos caixas do supermercado, dos donos, etc. A lista é interminável. E agora poderíamos nos perguntar: Se “Deus existe, ele não poderia me dar tudo isso de que tenho necessidade? Porque eu dependo dos outros? ”

Pode parecer uma pergunta meio boba, mas não é. Porque em um sentido é verdade que Deus poderia prover tudo para todos com um “estalar de dedos”. Assim ficaria bem evidente que somos dependentes de Deus e que Ele sai ao nosso encontro para prover tudo o que temos necessidade. Mas, obviamente, isso não acontece. Por quê? Porque também é verdade que Deus nos criou de tal forma que dependemos dos demais. E essa “tal forma” tem relação com um conceito muito importante e difícil de compreender que é a liberdade.

Junto com essa liberdade vem o dever da responsabilidade para com o mundo. Deus deu ao homem o poder de influenciar no mundo livremente. De ordená-lo para o bem ou para o mal. E isso é algo muito radical, muito importante, algo que muitas vezes pode parecer mais um peso do que uma benção. Porque tudo isso implica que o que fazemos ou deixamos de fazer possui consequências reais, positivas ou negativas, em mim mesmo, nos outros e em toda a criação.

Pode parecer que estamos longe do tema inicial da intercessão, mas espero que possamos voltar para lá nesse momento. Deus quer que dependamos uns dos outros. E ele utiliza essa dependência para agir, ou seja, por meio da ajuda que nos prestamos uns aos outros, Deus mesmo nos ajuda. E se isso é verdade para esse mundo, digamos, visível, não deixa de ser verdade para o mundo espiritual. De alguma maneira misteriosa, dependemos dos outros e quando nos ajudamos uns aos outros por meio da oração, da intercessão, o próprio Deus é quem nos ajuda.

Que nos ajudemos uns aos outros, seja material ou espiritualmente, não está em contradição com a ajuda que Deus quer dar. Vários santos experimentaram tão intensamente isso que disseram que ao morrer passariam a ajudar ainda mais intensamente a humanidade com sua intercessão. Santa Terezinha do Menino Jesus chegou a dizer que passaria o seu céu fazendo o bem na terra.

E quanto mais podemos dizer tudo isso com relação a Nossa Senhora. Termino com uma passagem do catecismo que ilustra bem seu papel de intercessora: “Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura ininterruptamente, (…), até a perpétua consumação de todos os eleitos. (…). Ela continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. ”

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