"Jesus Cristo sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza "

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Com esse texto gostaria de incentivar a leitura da mensagem do Papa Francisco para a Quaresma que se inicia na quarta-feira de cinzas, dia 5 de Março. Vamos repassar aqui alguns pontos que me pareceram interessantes com a intenção de despertar o interesse do leitor pela mensagem original.

Hoje em dia existe essa imensa benção de poder estar em contato direto com as mensagens do Vigário de Cristo na Terra. É preciso valorizar muito isso. Quantos santos e santas que nos precedem tiveram essa oportunidade?

A mensagem na íntegra pode ser vista nesse link: Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2014

A mensagem do Papa 

A primeira coisa que me chamou atenção ao ler a mensagem não foi a mensagem em si, mas quando ela foi escrita. Dia 26 de Dezembro de 2013. Mais de dois meses atrás. Quem de nós, logo depois das festas do Natal, preparando o fim de ano e a festa do ano novo, já estava pensando na Quaresma? Não digo que deveríamos necessariamente fazê-lo, somente me conforta saber que tenho um Pastor que se preocupa tanto por sua Igreja.

A Quaresma, como sabemos, é o tempo de preparação para a Páscoa, que é a festa mais importante do ano da Igreja, porque “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.” (1Co 15, 14). Que a mensagem da quaresma nos seja dada com tanta antecedência também mostra a centralidade dessa festa e que o Papa tem consciência da necessária preparação para a boa celebração.

A mensagem começa com a passagem bíblica que guiou a reflexão do Papa: “Conheceis a bondade de nosso Senhor Jesus Cristo. Sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza “(2Co 8, 9). Riqueza e pobreza são os temas que o Papa nos convida a refletir quando nos pergunta: “Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?”

O Papa então passa a explicar, na parte que tem o título “A Graça de Cristo”, o que é a pobreza no sentido evangélico. O Que tem sentido, pois como podemos saber o que nos diz a palavra de Deus se não sabemos ao certo o que ela significa?

“Deus realmente nos dá tudo em Jesus, não joga a salvação do céu, dando o supérfluo que sobra”.

O primeiro que Francisco coloca é que a pobreza evangélica é o estilo de Deus, que sendo rico, se fez pobre por amor a nós e esse amor é graça (Por isso o título dessa parte). Deus realmente nos dá tudo em Jesus, não joga a salvação do céu, dando o supérfluo que sobra. Não! Ele entrega toda a sua vida por nós. Uma entrega verdadeira. No estilo de Deus há um compromisso real com o homem.

A parábola do bom samaritano ilustra bem a pobreza de Deus segundo o Papa. A pobreza de Deus é a maneira como o bom samaritano se aproxima do homem às margens da estrada. Cuidado para não confundir. A pobreza de Deus não é comparada à miséria do homem na beira da estrada, é comparada à maneira de se aproximar do bom samaritano. Deus se faz pobre quando nos ama, porque nós somos pobres e ele se aproxima de nós com verdadeiro amor e entrega.

E nesse fazer-se pobre, ele nos enriquece com a sua riqueza. “Pobre riqueza e rica pobreza” são termos que querem expressar essa aparente contradição em Deus. Qual é a pobreza de Jesus? Abaixar-se até nós para trazer a sua riqueza. E Qual é essa riqueza de Jesus? Confiar infinitamente em Deus Pai. O que é, então, que Jesus quer nos dar? A confiança infinita em Deus Pai, porque nós também somos filhos de Deus.

Por isso o Papa termina essa primeira parte de uma maneira muito bonita, falando que a verdadeira e única miséria é a de não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo. Seria algo como se o miserável da parábola não deixasse que o bom samaritano se aproximasse dele. Essa é a verdadeira miséria, querer continuar miserável existindo um Deus que morre (literalmente) de amor por nós.

Entendendo melhor o que significa a pobreza evangélica poderíamos começar a responder a pergunta que o Papa nos faz. Queremos aceitar o convite a viver a pobreza evangélica? Se a nossa resposta é SIM, o Papa nos mostra como fazer na segunda parte do texto chamado “O Nosso testemunho”.

Na verdade o Papa sabe que a única maneira de salvar o mundo é por meio de Deus. Por isso no primeiro parágrafo corrige aos que pensamos que hoje em dia existem outros métodos, melhores que a “pobre riqueza” de Deus, para salvar o mundo.

Para ajudar Deus a salvar o mundo por meio da sua “rica pobreza”, nós temos que reconhecer-nos pobres. Porque “a riqueza de Deus não passa por nossa riqueza.” Se queremos que Deus atue através de nós, temos que reconhecer que necessitamos de Deus como o homem da parábola necessitava do bom samaritano. Onde podemos encontrar a pobreza de Deus e, consequentemente, a sua riqueza? Nos Sacramentos, na sua Palavra e na Igreja que é um povo de pobres. Nesses lugares nos fazemos pobres ricos de Deus.

O Papa quer que saibamos que pobreza é diferente de miséria. Todos temos que reconhecer-nos pobres, mas não temos que ser miseráveis. A miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança, nos diz o Santo Padre. E é justamente a essas pessoas que são miseráveis, que nós, os pobres (enriquecidos com a “pobre riqueza” de Deus), somos chamados a testemunhar nossa fé. Para que elas, ganhando a confiança, a solidariedade e a esperança, deixem de ser miseráveis e passem a ser pobres enriquecidos como nós.

E o santo Padre ainda nos ensina como tratar as misérias que encontraremos pelo caminho. A miséria material com o serviço, indo ao encontro das pessoas para curar essas feridas materiais. A miséria moral está sempre atrelada à miséria espiritual para qual o antídoto é o Evangelho, o anúncio gozoso da boa nova. Somos todos chamados a testemunhar nossa “rica pobreza” por meio da ajuda material e do serviço evangelizador.

Para terminar sua mensagem, o Santo Padre mostra que deseja para essa quaresma que respondamos sim ao convite do Apóstolo feito no primeiro parágrafo. Que estejamos sempre prontos e solícitos para testemunhar a mensagem evangélica aos que vivem na miséria. É uma difícil missão, que dói se a respondemos com generosidade, por isso é bom que a mensagem termine colocando tudo isso nas mãos do Espírito Santo, para que “Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia.”

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