Maria e os dons do Espírito Santo

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Meditamos hoje, nas vésperas da solenidade de Pentecostes, sobre os sete dons do Espírito Santos e como eles são acolhidos pelo coração imaculado da nossa Mãe Santa Maria. Ao mesmo tempo, pedimos a sua intercessão maternal para que os possamos ter como Ela corações abertos à ação daquele que é o nosso Consolador e Conselheiro, o Espírito Santo.

 

O temor de Deus e a sabedoria

“Maria então disse: Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus em meu Salvador, porque olhou para a humilhação da sua serva. Sim! Doravante as gerações todas me chamarão de bem-aventurada, pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor” (Lc 1,46).

O temor de Deus é o dom do Espírito Santo que nos ajuda a colocar-nos diante de Deus com respeito e reverência, cientes da distância infinita que nos separa dEle e do amor imenso que tem por cada um de nós, do qual somos totalmente indignos. A sabedoria é dom do Espírito Santo que nos ajuda a ver tudo com os olhos de Deus, o que somente é possível a partir de um encontro íntimo com Ele, saboreando e irradiando a sua presença e seu amor. Estes dois dons os recebeu Santa Maria, como fica patente no Magnificat, cântico que explicita a sua reverência para com as maravilhas que Deus opera na história e ao mesmo tempo a sua familiaridade com a Palavra de Deus, fruto da sua relação íntima com o Senhor.

 

O entendimento

“Ele, então, lhes disse: “Insensatos e lentos de coração para crer tudo o que os profetas anunciaram! Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés e por todos os Profetas, interpretou-lhes em todas as Escrituras o que a ele dizia respeito” (Lc 25-27).

A passagem de Emaús nos mostra o que o dom do entendimento realiza em nós: “quando o Senhor lhes explica as Escrituras para que compreendam que Ele devia ter sofrido e morrido para depois ressuscitar, as suas mentes abriram-se e nos seus corações voltou a acender-se a esperança (cf. Lc 24, 13-27)”[1]. Com Maria não aconteceu o que aconteceu com os discípulos de Emaús, ela não perdeu a esperança porque tinha compreendido que a morte na Cruz era a vitória do seu Filho, o pleno cumprimento da missão que o Pai lhe tinha confiado.

 

O conselho

“Bendigo a Iahweh que me aconselha, e, mesmo à noite, meus rins me instruem. Coloca Iahweh na minha frente sem cessar, com ele à minha direita eu nunca vacilo” (Sal 16,7-8).

O Espírito Santo é o nosso conselheiro, mas para que ele possa aconselhar-nos é necessário que façamos um espaço em nosso coração. É assim na vida de Maria, na passagem da Anunciação, coroada com seu Fiat, respira-se um ambiente de profunda oração. Nós também, como Maria, devemos tomar nossas decisões buscando a iluminação do Espírito. E assim também nos tornamos, como Ela, capazes de aconselhar nossos irmãos.

 

A fortaleza

“O semeador saiu a semear sua semente. Ao semeá-la, uma parte da semente caiu ao longo do caminho, foi pisada e as aves do céu a comeram. Outra parte caiu sobre a pedra e, tendo germinado, secou por falta de umidade. Outra caiu no meio dos espinhos, e os espinhos, nascendo com ela abafaram-na. Outra parte, finalmente, caiu em terra fértil, germinou e deu fruto ao cêntuplo. E, dizendo isso, exclamava: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”” (Lc 8,5-8).

“Pelo dom da fortaleza, o Espírito Santo liberta o terreno do nosso coração, o liberta da tibieza, da incerteza e de todos os temores que poderiam freá-lo, de modo que a Palavra de Deus seja colocada em prática, de maneira autêntica e gozosa”[2]. Santa Maria é modelo de terra fértil, que acolheu a semente da Palavra e deu muito fruto. Ao pé da Cruz percebemos sua profunda união com Jesus, grão de trigo que morre para dar frutos de vida eterna nos corações que acolhem sua vitória reconciliadora, sendo o primeiro o da sua Mãe.

 

A ciência e a piedade

“Enquanto lá estavam, completaram-se os dias para o parto, e ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e reclinou-o numa manjedoura, porque não havia um lugar para eles na sala” (Lc 2,6-7).

Na noite fria de Belém, como nunca Maria foi sensível à beleza da criação: o céu estrelado, os campos onde os rebanhos pastavam e os próprios animais do estábulo pareciam alegrar-se também pelo nascimento do Messias. O dom da ciência nos permite, como Maria, ver na beleza da criação o amor de Deus que nos fala. Maria é também, com o Menino Deus entre os braços, exemplo do coração que recebe o dom da piedade, pelo qual nos tornamos verdadeiramente religiosos e reverentes para com a presença de Deus em nosso meio.

 

 

 

[1] Papa Francisco, Audiência Geral de 30/4/2014. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2014/documents/papa-francesco_20140430_udienza-generale.html

[2] Papa Francisco, Audiência Geral de 14/5/2014. Disponível em: http://w2.vatican.va/content/francesco/es/audiences/2014/documents/papa-francesco_20140514_udienza-generale.html

 

Membro do Sodalício de Vida Cristã desde 1996. Nascido no Peru em 1978, mora no Brasil desde 2001. Por muitos anos foi professor de Filosofia na Universidade Católica de Petrópolis. Atualmente faz parte da equipe de formação do Sodalício, é diretor do Centro de Estudos Culturais e desenvolve projetos de formação na Fé e evangelização da cultura para o Movimento de Vida Cristã.

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