Maria, Mãe da Igreja

838

O título de Mãe da Igreja, embora possua profundas raízes nas Sagradas Escrituras e na Sagrada Tradição, é relativamente recente na história do Povo de Deus. O seu grande impulsor foi o Beato Papa Paulo VI[1], seguido por São João Paulo II[2], embora antes deles Bento XIV[3] e Leão XIII[4] também o usaram, direta ou indiretamente. Hoje meditaremos sobre o significado deste título da nossa Mãe para cada um de nós, membros vivos da Igreja.

 

Primeira meditação: Maria, Mãe da Igreja.

Este título reflete a profunda convicção dos fiéis cristãos, que veem em Maria não só a Mãe da pessoa de Cristo, senão também dos fiéis. Aquela que é reconhecida como Mãe da salvação, da vida e da graça, Mãe dos salvados e Mãe dos viventes, com todo direito é proclamada Mãe da Igreja.

Digamos a Ela, com Santo Anselmo de Canterbury: “Tu és a mãe da justificação e dos justificados, a mãe da reconciliação e dos reconciliados, a mãe da salvação e dos salvos”[5].

 

Segunda meditação: a Mãe da Igreja na Anunciação

Ainda que atribuído tarde a Maria, este título expressa a relação materna da Virgem com a Igreja, tal como ilustram já alguns textos do Novo Testamento, entre eles o que narra a Anunciação. Nele vemos como, já desde a Anunciação, Maria está chamada a dar seu consentimento à vinda do reino messiânico, que se cumprirá com a formação da Igreja.

 

Terceira meditação: Nas bodas de Caná

Ao solicitar ao seu Filho o exercício do poder messiânico, dá uma contribuição fundamental para o enraizamento da fé na primeira comunidade dos discípulos, e coopera para a instauração do Reino de Deus, que tem seu germe e início na Igreja[6].

 

Quarta meditação: No Calvário

No Calvário Maria, unindo-se ao sacrifício do seu Filho, oferece à obra da salvação a sua contribuição materna, que assume a forma de um parto doloroso, o parto da nova humanidade. O evangelista João, presente naquele momento, afirma que Jesus devia morrer para “congregar na unidade todos os filhos de Deus dispersos” (Jo 11,52), indicando no nascimento da Igreja o fruto do sacrifício redentor, ao qual Maria está maternalmente associada.

Cantemos: Mãe Nossa.

 

Quinta meditação: Na primeira comunidade de Jerusalém.

São Lucas fala da presença da Mãe de Jesus no seio da primeira comunidade de Jerusalém (ver At 1,14). Destaca assim a função materna de Maria para com a Igreja nascente, em analogia com a que teve no nascimento do Redentor. Assim, a dimensão materna converte-se em elemento fundamental da relação de Maria para com o novo povo dos redimidos.

[1] Discurso de clausura da terceira sessão conciliar, 21/11/1964: AAS 56 (1964), p. 37.

[2] Catequese do dia 17/9/1997.

[3] Bullarium romanum, série 2, t. 2, n. 61, p. 428.

[4] Acta Leonis XIII, 14, 302.

[5] Santo Anselmo de Canterbury, Oratio, 8: PL 158, 957A.

[6] Ver Lumen Gentium, 5.

COMPARTILHAR
Martin Ugarteche Fernández
Membro do Sodalício de Vida Cristã desde 1996. Nascido no Peru em 1978, mora no Brasil desde 2001. Atualmente mora em Petrópolis, onde é professor de filosofia na Universidade Católica e trabalha em diversos projetos de evangelização da cultura.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here