Nono mandamento: Não desejar a mulher do próximo

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Não cobiçarás a casa de teu próximo, não desejarás sua mulher, nem seu servo, nem sua serva, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que pertença a teu próximo (Ex 20,17).

Todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso já cometeu adultério com ela em seu coração (Mt 5,28).

Esse mandamento trata principalmente da concupiscência carnal, do desejo desordenado da mulher do próximo, ou do homem da próxima. Como Jesus comenta acima, não apenas a consumação do desejo (ter relações) é pecado. O simples desejo de uma pessoa que está compromissada com outra já é pecado.

Viver esse mandamento hoje em dia pode parecer difícil, sobretudo porque tem muitas pessoas querendo nos levar por esse caminho da satisfação das paixões a qualquer custo. “Pular a cerca” hoje parece ser natural, normal. Valores como a fidelidade, compromisso, honra parecem fora de moda.

Pensando de uma forma bem prática tem homem e mulher suficiente para todos. Por que desejar então alguém que está comprometido com outra pessoa? Muitas vezes o homem ou a mulher buscam outras “aventuras” achando que isso resolverá a sua vida, que quebrará o que ele considera uma rotina, algo incômodo que não o faz “sentir-se bem”.

Entrando mais a fundo percebemos que o que o leva a fazer isso muitas vezes é fruto de um problema bem maior: falta de diálogo no casal, falta de enfrentamento dos desafios com maturidade apoiando-se um no outro, não sair da rotina procurando amar o companheiro em cada momento do dia (ter gestos delicados, fazer agrados, etc), dentre outras coisas fundamentais em uma relação. É muito mais fácil fugir, buscar compensações fora da relação, do que enfrentar as dificuldades como pessoa madura. Deixamos de perceber que a riqueza, as virtudes que o(a) meu (minha) companheiro(a) são infinitamente superiores que os seus defeitos. Achamos que a mulher/homem do outro (a) é sempre melhor…

Jesus no seu sermão da montanha nos diz que são “bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8). O prêmio que ele nos promete se vivermos isso não é nada menos que a felicidade plena e eterna. Por que então não desejar coisas maiores, que realmente preenchem o nosso coração?

A luta pela pureza

Ao sermos batizados já fomos purificados de todos os pecados. Porém essa luta contra a concupiscência da carne e a cobiça nos acompanhará até o final de nossas vidas. Como diz no livro de Jó (tradução da Vulgata), “a vida do homem sobre a terra é luta” (Jó 7,1). Mas Cristo nos promete que aquele que for fiel até o fim receberá a coroa.

Cristo não nos pede nada que não possamos fazer. Ele nos dá a graça para podermos ter um coração puro, através da vivência da castidade (nos permite ter um coração reto e indiviso, conforme aprofundamos no sexto mandamento), da retidão de intenção (que façamos tudo segundo o Plano de Deus para mim), da pureza do olhar (interior e exterior, rejeitando inclusive pensamentos e imaginações impuras) e da vida de oração.

O respeito a si mesmo e ao outro

Uma virtude que nos ajuda muito a viver a pureza de coração é o pudor. Constatamos com tristeza como a intimidade das pessoas em muitos casos é violada, sendo usada como meio de ascender economicamente, como um show para entreter as pessoas. A pessoa acaba se tornando um objeto, deixando de ser visto tudo o que ela realmente é.

O pudor protege o mistério das pessoas e de seu amor, nos faz pacientes e moderados na relação amorosa e nos permite doar-nos, nos comprometermos com o outro. Ajuda-nos a sermos modestos, discretos, reservados, respeitosos, tendo em vista a minha sacralidade e a do outro.

Os pais têm uma tarefa importante na educação dos filhos nos bons costumes, respeitando a liberdade deles, mas jamais sendo permissivos com aquilo que vá contra os valores. Adolescentes e jovens criados com valores serão adultos mais maduros, respeitosos da dignidade do outro e mais conscientes do valor imenso da fidelidade.

Peçamos à Imaculada, a Virgem Fiel, que interceda junto a Jesus seu Filho para que as pessoas valorizem e vivam a fidelidade, especialmente no casamento.

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Leigo consagrado no Sodalício de Vida Cristã. Formado em Filosofia e Análise de Sistemas. Estudante de Teologia.

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