O que Jonas e João Batista têm em comum na Bíblia?

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Você com certeza já ouviu falar sobre João Batista, o primo de Jesus, que batizava no deserto, pregando o arrependimento dos pecados. Mas será que você já ouviu falar de Jonas? Ele não era primo de Jesus, nem mesmo de terceiro grau, mas nem por isso é menos famoso. Você se lembra daquela história do profeta que ficou três dias na barriga do peixe e depois voltou? Então, este é o Jonas.

Apesar disso soar como uma sugestão de culinária – comer peixe na Quaresma – quero lhe contar o que une estes dois homens bíblicos. Para isso, seria bom lhe contar o porquê de Jonas ter ido parar na barriga do peixe.

Na verdade, ele estava fugindo de Deus. É sério! Deus queria que ele fosse pregar a conversão aos ninivitas e Jonas não gostou da ideia. Jonas, por ser israelita, estava tão chateado com a ideia de Deus querer salvar os pagãos (que anos antes tinham escravizado os judeus), que se recusou.

Viu? Nem para os personagens da Bíblia é fácil essa ideia de conversão, perdão e misericórdia.

João Batista, pelo contrário, pregava a conversão para todos – poderíamos dizer que ele já estava perto da plenitude da conversão, que é “pensar, sentir e agir como Jesus”. E a Igreja Católica é a continuação dessa presença do Cristo nos dias de hoje. Por isso, ela nos relembra o caminho destes homens que foram capazes de falar sobre a conversão.

Jonas, apesar de sua proximidade com Deus, não conseguia aceitar toda a grandeza do Seu amor, mas sabia muito bem que, para alcançar esta conversão, era necessário exercitar-se em renúncias, em gestos de penitência que nos ajudem a amar mais a Deus e a rejeitar o mal.

Então façamos como nos pede João Batista, quando lhe perguntavam o que deveriam fazer: “Aquele que tem duas túnicas reparta com quem não tem; e o que tem alimentos faça o mesmo”. “Não exijais nada além do que vos está determinado”. Disse-lhes: “Não useis de violência com ninguém, não calunieis e contentai-vos com vosso soldo” (Lucas 3, 11 -14).

E como esses gestos e esse caminho de conversão têm a ver com a juventude? Vejamos:

O coração da Igreja está cheio também de jovens santos, que deram a sua vida por Cristo, muitos deles até ao martírio. Constituem magníficos reflexos de Cristo jovem, que resplandecem para nos estimular e tirar fora da sonolência. O Sínodo salientou que ‘muitos jovens santos fizeram resplandecer os delineamentos da idade juvenil em toda a sua beleza e foram, no seu tempo, verdadeiros profetas de mudança; o seu exemplo mostra do que os jovens são capazes, quando se abrem ao encontro com Cristo’. ‘Através da santidade dos jovens, a Igreja pode renovar o seu ardor espiritual e o seu vigor apostólico. O bálsamo da santidade gerada pela vida boa de muitos jovens pode curar as feridas da Igreja e do mundo, levando-nos àquela plenitude do amor para a qual, desde sempre, estamos chamados: os jovens santos impelem-nos a voltar ao nosso primeiro amor (cf. Ap 2,4)’. Há santos que não conheceram a vida adulta, tendo-nos deixado o testemunho doutra forma de viver a juventude. (CHRISTUS VIVIT, 49-50).

Para isto é que servem o jejum e a penitência: para uma conversão a Cristo. Se não o fazemos para amar mais a Deus e aos demais, estamos simplesmente fazendo dieta e esforços sem sentido. Entendeu? Fica a dica!

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Fábio Santos Araújo
Membro do Sodalício de Vida Cristã, do Rio de Janeiro. Formado em Filosofia, e cursando o curso de Teologia na Universidade Católica de Petrópolis.

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