Os mistérios luminosos e o novo ano apostólico

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Hoje nos reunimos para rezar o primeiro terço comunitário do ano, como emevecistas. Meditamos nos mistérios luminosos da vida do Senhor Jesus em companhia de Maria, buscando na oração a força necessária para assumir com generosidade todos os desafios apostólicos deste novo ano que inicia.

Cantemos: Mãe Nossa

 

Primeiro mistério: o Batismo do Senhor

Eu não o conhecia, mas, para que ele fosse manifestado a Israel, vim batizar com água. E João deu testemunho, dizendo: “Vi o Espírito descer, como uma pomba vindo do céu, e permanecer sobre ele. Eu não o conhecia, mas aquele que me enviou para batizar com água disse-me: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer é o que batiza com o Espírito Santo’. E eu vi e dou testemunho que ele é o Eleito de Deus’ (Jo 1,31-34).

O batismo de João era um batismo de conversão e perdão dos pecados. Obviamente, Jesus não precisava deste batismo. Por que então pede ao João para ser batizado? Não para ele ser purificado, mas para que as águas fossem purificadas. Para que, a partir desse momento, aqueles que acreditassem nEle pudessem ser batizados não apenas com água, mas no Espírito, que desce sobre Ele em forma de pomba. O gesto de ficar submerso, o movimento de abaixamento, que terá a sua plenitude na Cruz, visa a purificação de todos os pecados, não os dEle, porque Ele não tinha pecados, mas os pecados de todos nós. O gesto de reerguer-se, de surgir das águas, lembra a sua Ressurreição e Ascenção, a vitória que Ele conquistou para todos nós, as portas do céu reabertas para o gênero humano.

 

Segundo mistério: As Bodas de Caná

Sua mãe disse aos serventes: ‘Fazei tudo o que ele vos disser’ (Jo 2,5).

Disse-lhe Nicodemos: “Como pode um homem nascer, sendo já velho? Poderá entrar uma segunda vez no seio de sua mãe e nascer?” Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3,4-5).

Você sabe qual foi a data do seu Batismo? Você é consciente do que aconteceu naquele dia? Você celebra essa data com gratidão? Você vive as consequências do que aconteceu quando você foi batizado? Nesse dia você nasceu da água e do Espírito, como diz Jesus a Nicodemos. O nosso Batismo não pode ser para nós um acontecimento meramente social perdido no tempo, sem consequências no nosso dia-dia. Pelo contrário, ser o homem novo que Cristo veio criar em cada um de nós implica viver uma dinâmica batismal constante, morrendo a tudo o que é pecado e morte e nascendo à vida segundo o Evangelho. Isto é o que significa o gesto de deixar-se submergir na água para ressurgir dela como homens e mulheres novos, recriados em Cristo.

Cantemos: Nossa Senhora da Reconciliação

 

Terceiro mistério: o Anúncio do Reino

Ele foi a Nazara, onde fora criado, e, segundo seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para fazer a leitura. Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaias; abrindo-o, encontrou o lugar onde está escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor (Lc 4,16-19).

Assim como o Senhor Jesus, quem depois do Batismo começa sua vida pública, anunciando a proximidade do Reino, todos nós temos uma vocação apostólica, que tem as suas raízes em nosso Batismo. Sobre este importante assunto, afirma o decreto “Apostolicam Actuositatem” do Concílio Vaticano II sobre o apostolado dos leigos: “Inseridos no corpo místico de Cristo pelo batismo e robustecidos pela virtude do Espírito Santo na confirmação, os leigos são deputados pelo próprio Senhor para o apostolado. São consagrados como sacerdócio real e povo santo (cf. 1Pd 2,4-10), a fim de oferecerem, por meio de todas as obras, hóstias espirituais, e darem testemunho de Cristo em toda parte” (n. 3). Assim como no corpo humano quando um dos órgãos deixa de funcionar isto afeta o corpo inteiro, o mesmo acontece no Corpo de Cristo, que é a Igreja. Todos nós temos um papel, uma função, que ninguém fará por nós e que Deus nos encarrega e para a qual nos deu dons e talentos. Por isso é vital que respondamos com generosidade, que façamos apostolado sempre com as palavras e ações.

 

Quarto mistério: a Transfiguração

E ali foi transfigurado diante deles. O seu rosto resplandeceu como o sol e as suas vestes tornaram-se alvas como a luz (Mt 17,2).

Ver o rosto transfigurado do Senhor Jesus foi para os apóstolos experimentar um pouco do Céu aqui na terra. Quantas vezes nós, com o salmista, rezamos desde o mais profundo do coração: Senhor, eu desejo ver teu rosto! (Cf. Sal 42-43(41-42),3). O momento da transfiguração foi para os apóstolos experimentar um pouco a realização desse desejo profundo do coração humano. O Senhor sabia do exigente do caminho da vida cristã, e por isso levou os apóstolos para a montanha, para ter essa experiência intensa de encontro com Ele. Quão importante é que nós também, respondendo ao chamado do Senhor, que bate sempre à nossa porta, dediquemos tempo à oração, à leitura das Sagradas Escrituras, a alguma leitura espiritual edificante, a adoração do Senhor no Santíssimo Sacramento, a oração do Terço, não de vez em quando, mas com frequência. Somente assim o nosso apostolado terá um fundamento sólido e não correrá o perigo de ser como a palha que o vento leva, ou como o bronze que soa ou o címbalo que tine (cf. 1Cor 13,1), expressão e alimento da nossa vaidade (cf. Ecl 1,2).

 

Quinto mistério: A instituição da Eucarsitia

Todas as vezes, pois, que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha. Eis porque todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor (1Cor 26-27).

A Eucaristia é a fonte e o cume de toda a nossa vida cristã. É o ponto do qual parte todo o nosso apostolado e também o momento em que, junto com toda a Igreja, colocamos na patena todo o nosso trabalho apostólico, com seus acertos e erros, suas vitórias e fracassos, para que o Senhor Jesus o leve ao Pai junto com o sacrifício perfeito do seu Corpo e seu Sangue. Na Eucaristia também o Senhor bate à nossa porta e o nosso coração se torna um pequeno sacrário. Por isso é necessário que constantemente peçamos perdão a Deus pelos nossos pecados, e com frequência recorramos ao Sacramento da Reconciliação. Ser apóstolo significa ser, hoje, ministro e artesão da Reconciliação, mas só poderemos sê-lo se nós mesmos percorremos um caminho de Reconciliação, da mão do Senhor e de Maria, a Mãe da Reconciliação. Revisemos constantemente a nossa consciência, façamos um exame dos nossos atos sem medo, sabendo que não há pecado que o Senhor não possa perdoar.

Cantemos: Maria Guia

 

 

Membro do Sodalício de Vida Cristã desde 1996. Nascido no Peru em 1978, mora no Brasil desde 2001. Por muitos anos foi professor de Filosofia na Universidade Católica de Petrópolis. Atualmente faz parte da equipe de formação do Sodalício, é diretor do Centro de Estudos Culturais e desenvolve projetos de formação na Fé e evangelização da cultura para o Movimento de Vida Cristã.

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