Paz – Ef 2,14

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A paz do Senhor

«Ele é a nossa paz:  de ambos povos fez um só, tendo derrubado o muro da separação» (Ef 2,14)

São Paulo se dirige desde o cativeiro aos pagãos convertidos de Éfeso. Éfeso era a florescente capital romana da província da Ásia. Existia um mutuo desprezo entre os pagãos e os judeus. Neste sentido a expressão “muro da separação” é algo mais que uma simples metáfora. Efetivamente, um muro de pedra separava no templo de Jerusalém o pátio dos judeus do pátio dos pagãos; existiam letreiros que proibiam sobe pena de morte a passagem dos estrangeiros para o outro lado do muro. As legiões romanas derrubaram este muro no ano 70. Mas Cristo já tinha anulado seu significado, pois Ele veio para unir toda a raça humana, para destruir o pecado e o ódio, fazendo de nós um Povo novo e definitivo, que tem como condição a liberdade dos filhos de Deus e como estatuto o preceito do amor fraterno. Foi essa a mensagem que o apóstolo quis transmitir para os cristãos de Éfeso.

Mediante o Seu sacrifício na Cruz, Jesus levou a termo a reconciliação universal, e nós, seus seguidores, somos chamados a ser «obreiros da Paz » (Mt 6, 9). Porém, acreditamos que Jesus Cristo, pelo dom da sua vida sobre a cruz, tornou-se a nossa Paz.  Ele que revela ao homem a plena verdade sobre o próprio homem. Derrubou o muro da aversão que separava os irmãos inimigos. Tendo ressuscitado e entrado na glória do Pai; Ele associa-nos misteriosamente à sua vida: ao reconciliar-nos com Deus, com nós mesmos e com os demais, Ele repara as feridas do pecado e da divisão e torna-nos capazes de instaurar nas nossas vidas e na nossa sociedade um esboço da unidade que Ele restabeleceu em nós.

A ação pacificadora de Cristo não é superficial nem passiva, mas interior e vital. Procura a paz para o coração dos homens. Cristo, com as suas palavras e com o seu exemplo, suscitou novos comportamentos de paz. O seu nascimento foi um anuncio alegre de «paz aos homens de boa vontade» (Lc  2,14). No inicio do seu ministério Ele proclama: «Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9). Depois, envia os seus discípulos a levar a paz de casa em casa e de cidade em cidade (cf. Mt 10,11-13); e exorta-os a preferirem a paz a toda a espécie de vingança e mesmo a certas reclamações legítimas, tal era o seu desejo de arrancar do coração do homem a raiz do ódio (cf. Mt 5, 38-42). Mais ainda, Ele preceitua que se amem aqueles que as barreiras de qualquer gênero transformaram em inimigos (cf. Mt 5, 43-48); cita como exemplo os estrangeiros, existindo o hábito criado de os desprezar, como era o caso dos Samaritanos (cf. Lc 10, 33; 17, 16). Finalmente, as suas primeiras palavras depois de ressuscitado a seus discípulos, que o haviam abandonado na sua paixão, foram: «a paz esteja convosco» (Jo 20, I 9 ).

Por tanto a paz de cada homem será conseqüência da sua luta interior por acolher a reconciliação trazida por Cristo, conformar-se com Ele, verdadeira paz, a tal ponto de dizer como o apostolo «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gl 2,20).

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