Pedofilia na Igreja

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Em foco nas mídias, o abuso sexual e, mais especificamente, o abuso sexual contra crianças e adolescentes, desperta os mais variados sentimentos em toda a população.

Em linhas gerais, pode-se definir que abuso sexual é a utilização da criança ou do adolescente em uma relação de poder desigual, para proporcionar prazer sexual a outra pessoa. As situações de abuso sexual vão desde toques em partes íntimas, produção de fotos e vídeos expondo a criança ou adolescente sem roupas, até estupros.

Nas últimas décadas, inúmeras situações de abusos sexuais por parte de autoridades, representantes e membros da Igreja Católica em diversos países, assim como a falta de responsabilidade perante os casos e até mesmo notícias de encobrimento vêm causando escândalo, indignação e preocupação no mundo inteiro.

É difícil pensar nas causas. Animo-me a dizer que, em primeiro lugar, existe um afastamento da verdade do Evangelho em certos ambientes da Igreja; em segundo lugar, a Igreja não tem sabido selecionar e formar uma boa parte de seus sacerdotes, religiosos e membros de congregações, pois sem dúvida não alcançavam o nível espiritual e psicológico necessário para desempenharem uma missão que requer um grande espírito de serviço; em terceiro lugar, a Igreja, com muito zelo de salvaguardar seu nome e com um certo puritanismo, buscou evitar os escândalos, encobrindo a verdade; em quarto lugar, devido a uma inadequada compreensão da compaixão, a Igreja não aplicou com o rigor necessário à norma de seu direito canônico, o mesmo que está em processo de ser revisado. E por último, a Igreja tem outorgado um excessivo protagonismo ao sacerdote, esquecendo-se do papel fundamental dos leigos, homens e mulheres, que são tão Igreja quanto qualquer clérigo.

recente encontro no Vaticano sobre os abusos sexuais mostrou um propósito de emenda firme e um sincero esforço pela renovação da Igreja, embora este seja apenas um primeiro passo. O Papa Francisco, ao final do encontro, pronunciou as seguintes palavras:

“Atualmente cresceu na Igreja a consciência do dever que tem, de procurar não só conter os gravíssimos abusos com medidas disciplinares e processos civis e canônicos, mas também enfrentar, decididamente, o fenômeno, dentro e fora da Igreja” (…) “Chegou a hora de encontrar o justo equilíbrio de todos os valores em jogo e dar diretrizes uniformes para a Igreja, evitando os dois extremos: nem judicialismo, provocado pelo sentimento de culpa face aos erros passados e pela pressão do mundo midiático, nem autodefesa, que não enfrenta as causas e as consequências destes graves delitos”.

Por último, lembrando das palavras de Rafael Domingo Oslé: “A Igreja não é somente ‘a Igreja dos abusos’. A Igreja, durante séculos, tem sido uma grande defensora da paz no mundo, da luta contra a pobreza, do cuidado aos enfermos, da educação a milhões de crianças; e tem protegido a vida como poucas instituições têm feito. Esta parte saudável, fresca e misericordiosa da Igreja é a que acabará se impondo de novo e limpará o fedor da ferida que tem estado presente no seio da própria Igreja e tem escandalizado inúmeras pessoas de boa vontade”.

Por tudo isto, vê-se necessário que iniciativas de capacitação, sensibilização e formação para a prevenção se tornem essenciais e indispensáveis para ajudar a Igreja.

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