Perseverança no meio das dificuldades – Hb 12,1-4

1043

“Portanto, também nós, com tal nuvem de testemunhas1 ao nosso redor, rejeitando todo fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança para o certame que nos é proposto, com os olhos fixos naquele que é o autor e realizador da fé, Jesus, que, em vez da alegria que Lhe foi proposta, suportou a Cruz, desprezando a vergonha, e se assentou à direita do trono de Deus. Considerai, pois, aquele que suportou tal contradição por parte dos pecadores, para não vos deixardes fatigar pelo desânimo. Vós ainda não resististes até o sangue2 em vosso combate contra o pecado!”

nota 1 – Testemunha, em grego, μαρτυρων [= marturon]: g.p.m. de μάρτυς [= martus]: Testemunha  em sentido jurídico ou geral.  O que dá testemunho. Por extensão “mártir”, o que dá testemunho com sua própria vida.

nota 2 – Sangue, em grego, αιματος [=aimatos]: g.s.n. de αἷμα [= aima]. Biblicamente, no sacrifício ritual, o sangue representa a vida, sendo simbolicamente oferecido a Deus, representado pelo altar.

Contexto da carta

Para entender melhor este texto é importante saber que a comunidade à qual se escreve a carta vinha sofrendo muitas dificuldades, perseguições, vergonhas e rejeições pelo fiel seguimento do Senhor, o que fez com que muitos caíssem em apostasia, no abandono da fé.

Contexto do versículo

Com a intenção de convidar a perseverar o autor apresentou como modelos no capítulo 11 diversos personagens históricos que perseveraram fiéis ao Senhor.

Em si

Convidando à perseverança no esforço de fidelidade ao Senhor, o autor desenvolve uma analogia da vida cristã com uma corrida. Os personagens mencionados no capítulo 11 e todos os Santos constituem essa “nuvem de testemunhas” que com seu testemunho de paciência e perseverança são como os espectadores que assistem à corrida da vida cristã e dão ânimo aos corredores com gritos e aplausos, mostrando-lhes que é possível chegar à meta. A primeira coisa que cada cristão deve fazer é justamente despojar-se de todo lastro, quer dizer, de tudo o que estorva, tudo o que é peso inútil que torna a corrida mais lenta, o que tira ligeireza e agilidade do corpo. Isto inclui os complexos, as más amizades, os maus hábitos, o medo, a ansiedade, a tristeza, a culpa paralisante, e, obviamente, o pecado.

Na medida em que a pessoa vai deixando de lado estes obstáculos poderá correr com perseverança a corrida que lhe é proposta, a corrida da vida cristã. Para chegar à meta é fundamental pôr os olhos em Jesus e não em si mesmo e nas próprias limitações. Jesus é quem convoca cada um à corrida (que inicia a fé) e lhe dá a força para chegar até a meta (que consuma a fé).

Jesus é também o maior dos modelos, a maior “testemunha”. Ele, com efeito, por amor a nós, obediência ao pai e para levar sua glória à plenitude suportou a paixão e a cruz com todo o desprezo dos pecadores (também de cada um de nós). Em compensação obteve a maior das vitórias na Ressurreição. É assim o modelo de perseverança em um esforço até o final como o que se necessita para terminar a corrida.

Cada um, ao deparar-se com este modelo, descobre que por maiores e difíceis que sejam os sofrimentos e provações que atravessa, ainda não chegou ao nível de entrega a que Cristo chegou, derramado seu sangue e entregando sua vida. Esse é o limite da radicalidade e perseverança a que somos chamados e por isso é possível ainda continuar no caminho.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here