Preciso de dinheiro

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Uma experiência comum aos cristãos é a percepção da liberdade que a vida espiritual proporciona, é algo que nos alivia do peso de um mundo competitivo e feroz, mas não podemos escapar do cotidiano, onde temos que pagar a conta de luz, ir ao mercado ou até mesmo pagar a Netflix. Aqueles que já estão querendo ir à JMJ no Panamá, já estão se preocupando com o tema, o dinheiro. A crise que vive o nosso país nos leva a perceber como o dinheiro e a riqueza são um assunto que nos engloba como um todo. Muitas pessoas sofrem por falta dele. Às vezes parece que é um assunto que podemos evitar, mas a realidade nos exige uma atitude diante deste tema. Nós, como cristãos, confiamos em Deus e por isso mesmo Ele nos deu toda a Criação para que produzamos frutos. (Gn 1,28)

Querendo convidar-nos a uma reflexão, a “Congregação para a Doutrina da Fé” falou sobre este tema, num documento chamado Oeconomicae et pecuniariae quaestiones, lançado em 22 de maio de 2018. No número 15 constatamos uma aproximação que pode nos ajudar: “Também o dinheiro é por si mesmo um instrumento bom, como muitas coisas de que o homem dispõe: é um meio à disposição da sua liberdade e serve para alargar as suas possibilidades. Este meio pode porém voltar-se facilmente contra o homem.” Nesta definição percebemos uma aproximação positiva sobre o dinheiro junto com uma advertência à consciência humana, que deve usá-lo para o bem e não para o mal. Muito menos o dinheiro público, certo?

Esta reflexão da Igreja está dentro de que chamamos Doutrina Social da Igreja Católica, que foi sintetizada no Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Junto com o curso sobre o Catecismo, deveria ser uma parte importante da formação do católico de hoje, fica a dica.

Na nossa vida prática muitas vezes percebemos um estresse e uma frustração muito grandes quando nossos limites financeiros nos freiam, eles podem frustrar nossos sonhos ou até mesmo ser motivo de brigas e dificuldade com os demais. O que leva algumas pessoas a experimentar a tentação de fazer coisas ilícitas ou de simplesmente gastar sem nenhuma responsabilidade. O dinheiro pode ser uma ocasião negativa para a nossa vida, mas simultaneamente poder gerar uma ocasião de viver a caridade, de exercer a responsabilidade, de amadurecer projetos e portanto afetar positivamente as pessoas. Isto é tão abrangente que poderia ter efeito até mesmo nas gerações seguintes. Por exemplo, você deve sofrer ou gozar das decisões financeiras dos seus pais, certo? Agora, cada um de nós tem a responsabilidade de amadurecer nesta dimensão social e pessoal. E os efeitos são sentidos até mesmo nas coisas espirituais, pois administrar nossa vida espiritual tem uma dinâmica semelhante. Somos administradores da Graça divina que nos é dada em abundância. O problema com o dinheiro é que nem sempre é tão abundante.

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O realismo da nossa fé deve ser uma luz que nos ilumina quando o tema é o dinheiro, devemos buscar usar este meio para o bem de todos em vista do fim último que é a Salvação. O valor do nosso trabalho deve ir além do dinheiro. Por isso não devemos viver em função do dinheiro, mas usá-lo como um instrumento para alcançar o bem das pessoas. Sendo assim, o uso dos bens é uma questão de ordem moral e Deus no-los concede segundo sua Graça, contando com o reto uso da nossa liberdade. Por isso devemos sempre cooperar com o Senhor aprendendo com a sua mesma oração. “Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu, o pão nosso de cada dia nos dai hoje.” (Mt 6,10-11).

Fabio Santos Araujo

Sodalício de Vida Cristã

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Fábio Santos Araújo
Membro do Sodalício de Vida Cristã, do Rio de Janeiro. Formado em Filosofia, e cursando o curso de Teologia na Universidade Católica de Petrópolis.

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