Quero fugir de tudo e de todos, mas onde quero chegar?

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A vida não é tão fácil assim de ser vivida. Para lembrar de uma passagem bíblica, quando somos crianças, nos dão comida de criança, mas enquanto vamos crescendo, passamos a ter que comer como adultos. A papinha é fácil de comer, nos dão na boca. A outra comida exige o mastigar e que nós mesmos a levemos às nossas bocas. O crescer e amadurecer exige muito dos jovens e a experiência pode ser muitas vezes superior à sua capacidade de compreender tudo o que está acontecendo consigo mesmo e ao seu redor. Mesmo quando ele pensa que sabe tudo.

Existe uma experiência comum de insatisfação com tudo. Nada parece dar certo ou ser da maneira que que pensamos que devessem ser. São muitas mudanças em pouquíssimo tempo. As decisões começam a ficar cada vez mais importantes e a pressão pode ser muito alta por fazer a “escolha certa”. Com tudo isso o jovem vai percebendo que a vida não é toda cor de rosa. Ele então começa a buscar apoio, um lugar onde possa se sustentar para continuar com sua vida. E nessa busca por algo verdadeiro que possa dar sentido a suas vidas, podem encontrar muitos sucedâneos que o mundo oferece como resposta.

Mas na verdade, o que nós queremos é alguém em quem podemos confiar totalmente.  Enquanto não encontramos essa rocha firme onde pode repousar tranquilamente nosso coração, o experimentamos profundamente inquieto, como já disse Santo Agostinho.  Esse alguém é somente Deus e se os jovens experimentam essa necessidade de “sumir no mundo”, de fazer um milhão de coisas ou de deixar tudo para trás, é porque ainda estão procurando a única Pessoa que pode saciar seus desejos mais profundos.

 Apenas em Deus encontramos a Vida pela qual vale a pena dar tudo pela última vez. Apenas nele encontramos esse lugar no qual temos a experiência de finalmente chegar àquele lugar que é o “meu lugar”. Nele é onde acaba essa inquietude toda, é onde tudo cobra sentido, é onde podemos finalmente repousar tranquilos os nossos corações. E embora essa experiência só a teremos plenamente no céu, no encontro pleno com Ele, já a experimentamos desde agora e, à medida que vamos nos aproximando de Deus, com cada vez mais profundidade.

Enquanto estiver provando de todas as outras opções que o mundo oferece, o jovem nunca vai conseguir essa paz interior que tanto deseja. E diante de tantas ofertas que não chegam a satisfazer completamente, a sua capacidade de se comprometer de verdade vai diminuindo, porque pouco a pouco ele vai percebendo que nada o satisfaz. Assim podemos entender um pouco da cultura de descarte que vemos por aí. Relações que não duram, o desejo de sempre querer algo novo, de última geração, o abandono do antigo como inútil e ultrapassado (Infelizmente vemos isso acontecer até com as pessoas idosas).

Todos fomos criados a imagem e semelhança de Deus. E nele encontramos que é o amor, reflexo daquele Amor vivido no interior da Trindade Santa, que realiza plenamente as nossas vidas. Podemos dizer que o Amor é a nossa raiz verdadeira, de onde saímos e sem a qual estamos condenados a secar e não dar frutos. Deus é amor e podemos entender a nossa vida, a vida Plena que Ele nos convida a viver, como um processo no qual vamos nos “amorizando”, nos tornando cada vez mais amor, como Ele. Esse é o único caminho que de verdade nos faz crescer em felicidade autêntica até a felicidade plena no céu.

Querer fugir de tudo pode ser, então, uma manifestação de que ainda não se encontrou o que se busca de verdade. O mundo não vai parar de ofertar cada dia uma coisa nova se for preciso, mas Jesus também não vai deixar nunca de bater naquela porta do seu coração, querendo ardentemente ceiar contigo. Será que vale a pena continuar tentando encontrar por outras portas aquilo que só se pode encontrar nessa única que sempre esteve do nosso lado, ou melhor ainda, dentro de nós? Abramos as portas a Deus e percebamos que com Ele, longe de se fecharem todas as outras portas, o caminho pelo qual devemos seguir começa a brilhar mais forte e assim passamos a abrir sempre as portas que vão nos conduzindo pelos caminhos do plano de Deus.

Por João Antônio Johas Leão

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