Santa Maria e a autêntica alegria

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Começamos hoje a terceira semana do Advento, que nos convida a alegrar-nos, porque o Natal está muito próximo. Guiados por Santa Maria, meditaremos hoje sobre algumas características desta alegria que é uma das características do autêntico cristão.

No início do Terço vamos hoje ascender a terceira vela da nossa coroa, cantando juntos com alegria a música da Coroa de Advento.

 

Primeiro mistério: Alegra-te Maria

“No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”” (Lc 1,26-28).

“Alegra-te”, primeira palavra da saudação do Anjo Gabriel, pode ser considerada a palavra inaugural do Evangelho. Ela não é dirigida apenas a Maria, mas também a cada um de nós. Desde a Anunciação-Encarnação, Jesus é Deus com Maria e Deus conosco, fonte da nossa alegria. No original grego do Evangelho de Lucas, a palavra usada é “Xaire“, que no Antigo Testamento sempre expressa a alegria relacionada com a vinda do Messias, com a sua chegada. É esta alegria, que encheu o coração de Maria a que deve também hoje encontrar espaço em nossos corações, considerando a proximidade da celebração do Natal.

 

Segundo mistério: Serviço e alegria

“Maria, então, disse: “Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus em meu Salvador”” (Lc 1,46).

Na passagem da Visitação Maria nos mostra que o caminho da vida cristã é um caminho de serviço. Com seu gesto de visitar Isabel para ajudá-la na sua gravidez, Maria antecipa o ensinamento de Jesus, quem disse: “Vim para servir e não para ser servido”. Todos nós somos chamados por Deus a uma missão, a colocar nossos dons e talentos ao serviço dos irmãos. Esta experiência é fonte de alegria para Maria, quem canta: “Meu Espírito exulta em Deus, em meu Salvador”, na casa de Isabel. Assim também cada um de nós, participando na missão da Igreja, experimenta que “há mais alegria em dar que em receber”.

 

Terceiro mistério: Adoração e alegria

“O anjo, porém, disse-lhes: “Não temais! Eis que vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: Nasceu-vos hoje um Salvador, que é o Cristo-Senhor, na cidade de Davi”” (Lc 2,10-11).

Os pastores também recebem o convite para alegrar-se, porque o Messias tinha nascido. Eles acorrem prontamente a Belém e adoram o Menino, unindo-se, com profunda alegria, aos coros celestiais. Esta mesma alegria pelo encontro com Jesus a sentem os Reis Magos, quando revêm a estrela, nas redondezas de Belém. Sejamos como os pastores e os sábios, homens e mulheres de oração. Dediquemos tempo, em quantidade e qualidade, à adoração. Lembremos que ninguém dá o que não tem e que só um coração silencioso e cultivado na meditação da Palavra de Deus poderá realmente servir ao próximo, levando a Boa Notícia e não as próprias rupturas pessoais.

 

Quarto mistério: A apresentação

“”Agora, Soberano Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste em face de todos os povos, luz para iluminar as nações e glória de teu povo, Israel”” (Lc 2,29-32).

Uma experiência que nos produz grande alegria é a de perceber que cumprimos a nossa missão, que estamos no caminho certo e perseveramos, a pesar de dificuldades e incompreensões. Esta é a experiência de Simeão, homem já idoso, quando vê a sua perseverança recompensada pelo encontro com o Messias. A diferença dele, muitos de nós ainda estamos iniciando o caminho, ou quiçá estamos um pouco mais avançados. Dores e alegrias vão tecendo o nosso itinerário. Sejamos como Simeão, não desanimemos. A nossa perseverança, como a dele, será recompensada. E no caminho Deus não nos deixa sozinhos, ele sempre nos dá luzes, coloca pessoas que podem nos ajudar, nos oferece seu perdão e reconciliação quando parece que perdemos o rumo.

 

Quinto mistério: A alegria do encontro

“Três dias depois, eles o encontraram no Templo, sentado em meio aos doutores, ouvindo-os e interrogando-os” (Lc 2,46).

O quinto mistério gozoso narra a experiência de Maria e José de ter perdido, por três dias, o Menino Jesus. O encontro na porta do Templo foi, sem dúvidas, fonte de alívio e alegria para eles dois. Num segundo momento vem a sutil repreensão de Maria, à qual Jesus responde com total consciência da sua identidade e missão. Ele, na verdade, nunca esteve perdido, mas na Casa do Pai. É uma lição difícil mas fundamental para Maria e cada um de nós: Jesus nunca nos abandona, nunca desiste de nós, tudo o que Ele faz é para nos salvar e reconciliar, cumprindo o Plano do Pai. Existem tristezas nesta vida, dificuldades, mas elas nunca têm a palavra definitiva. O definitivo sempre será Cristo e a sua vitória, que é também nossa, o lugar na Casa do Pai que Ele separou para cada um de nós.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Martin Ugarteche Fernández
Membro do Sodalício de Vida Cristã desde 1996. Nascido no Peru em 1978, mora no Brasil desde 2001. Por muitos anos foi professor de Filosofia na Universidade Católica de Petrópolis. Atualmente faz parte da equipe de formação do Sodalício, é diretor do Centro de Estudos Culturais e desenvolve projetos de formação na Fé e evangelização da cultura para o Movimento de Vida Cristã.

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