Santa Maria, Mãe da Misericórdia

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Amanhã celebramos o Domingo da Misericórdia. Hoje, o Papa Francisco estará convocando oficialmente o Jubileu Extraordinário da Misericórdia e entregará ao mundo a bula “Misericordie Vultus” (O Rosto da Misericórdia). Nela o Papa afirma: “Precisamos sempre de contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado.”

Hoje olhemos para Santa Maria, mãe da Misericórdia, que intercede por nós junto a seu filho, ensinando-nos a acolher a misericórdia e humildemente reconhecer nossas fraquezas e pecados, entregando-os ao Senhor Jesus, que nos salvou dando sua própria vida.

 

Primeiro Mistério Gozoso – O Anúncio do Anjo a Santa Maria

O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.

Deus amou tanto os homens que enviou seu Filho único para salvá-los, nos diz São João, e a salvação se fez possível com o sim de Maria. Em sua enorme misericórdia, Deus não virou-se a infidelidade de sua criatura. Incessantemente buscou-a sempre lhe apontando o caminho da salvação, sempre lhe perdoando. Maria foi participante principal no Plano de Salvação pensado por Deus. Maria nos mostra a importância de acolher o dom de amor de Deus e sua misericórdia. Eis aqui a serva do Senhor, faça-se segundo a tua palavra. Estas são palavras que sempre devem ecoar em nossas mentes e corações.

 

Segundo Mistério Gozoso – A visita de Santa Maria a sua prima Izabel

E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.

São João Paulo II, em sua Carta Encíclica Divis in Misericordia, diz que “na pregação dos Profetas, a misericórdia significa a especial força do amor, que prevalece sobre o pecado e sobre a infidelidade do povo eleito.” O Magnificat de Maria exalta a Misericórdia de Deus que se faz visível em Cristo, sublinhando que a misericórdia de Deus estende-se de geração em geração. Que como Maria possamos reconhecer e cantar o imenso amor de Deus por cada um de nós. Amor que é maior que nossas faltas, que as perdoa e que foram lavadas com o Sangue de Cristo na Cruz.

 

Terceiro Mistério: O nascimento do Senhor Jesus

 Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor. O anjo disse-lhes: Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura. E subitamente ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia: Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência (divina).

Tão grande Glória o nascimento do Senhor Jesus. Em uma noite silenciosa brilhou uma intensa luz, nossa salvação se fez presente de forma tão pequena e tão frágil. A Misericórdia encarnou na “miséria” e a tornou novamente gloriosa e admirável. Vitor Hugo em seu Livro “Os Miseráveis” eleva a Misericórdia a um dos mais belos nomes de Deus dizendo “O vós que sois? O Eclesiastes vos nomeia Todo-Poderoso; Macabeus vos nomeia Criador; a Epístola aos Efésios vos nomeia Liberdade; Baruch vos nomeia Imensidão; os Salmos vos nomeiam Sabedoria e Verdade; São João vos nomeia Luz; o livro dos Reis vos nomeia Senhor; o Êxodo vos chama de providência; o Levítico, Santidade; Esdras, Justiça; a Criação vos nomeia Deus; o homem vos nomeia Pai; Salomão vos nomeia Misericórdia, e é este o mais belo de vossos nomes. Que sejamos como Maria e José, testemunhas principais dessa grandeza de amor.

 

Quarto Mistério: A apresentação do Menino Jesus no Templo

Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação. que preparastes diante de todos os povos, .como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel.

Simeão exulta de alegria ao ver o Menino Jesus. Compreende que a salvação do povo de Israel chegou. São João Paulo II nos disse na Carta Encíclica Dives in Misericordia. “O Senhor revelou a sua misericórdia tanto nas obras como nas palavras, desde os primórdios do povo que escolheu para si. No decurso da sua história, este povo, quer em momentos de desgraça, quer ao tomar consciência do próprio pecado, entregou-se continuamente com confiança ao Deus das misericórdias. Na misericórdia do Senhor para com os seus manifestam-se todos os matizes do amor.” Como não lembrar de Santa Maria nas Bodas de Canã, ali ela pedia a misericórdia ao povo de Israel, representados por aqueles noivos e pessoas que estavam na festa. Na miséria da falta de vinho sobreabundou o amor, carinhosamente solicitado por nossa mãe Santa Maria.

 

Quinto Mistério: O reencontro com o Senhor Jesus no Templo após três dias

Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas. Quando eles o viram, ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição. Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?

Cristo em tudo vem cumprir a missão que Deus lhe deu, se ocupa das coisas do Pai. Na Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia o Papa Francisco nos diz: “A missão, que Jesus recebeu do Pai, foi a de revelar o mistério do amor divino na sua plenitude. « Deus é amor » (1 Jo 4, 8.16): afirma-o, pela primeira e única vez em toda a Escritura, o evangelista João. Agora este amor tornou-se visível e palpável em toda a vida de Jesus. A sua pessoa não é senão amor, um amor que se dá gratuitamente. O seu relacionamento com as pessoas, que se abeiram d’Ele, manifesta algo de único e irrepetível. Os sinais que realiza, sobretudo para com os pecadores, as pessoas pobres, marginalizadas, doentes e atribuladas, decorrem sob o signo da misericórdia. Tudo n’Ele fala de misericórdia. N’Ele, nada há que seja desprovido de compaixão.” Maria é exemplo no seguimento a Cristo, em viver conforme Ele viveu. Que dela sempre aprendamos o doce olhar de compaixão que com as mãos estendidas convida-nos a caminhar.

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Martin Ugarteche Fernández
Membro do Sodalício de Vida Cristã desde 1996. Nascido no Peru em 1978, mora no Brasil desde 2001. Atualmente mora em Petrópolis, onde é professor de filosofia na Universidade Católica e trabalha em diversos projetos de evangelização da cultura.

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