Santo Irineu: Pastor e mestre da Fé apostólica

85

São Irineu nasceu em Esmirna (hoje na Turquia) entre os anos 135 e 140. Foi discípulo de São Policarpo, que por sua vez foi discípulo de São João Evangelista. No ano 177, o nome de Irineu figurava entre os presbíteros de Lião, na Gália, mas não se sabe exatamente o momento no qual se transferiu para essa região.

Enviado a Roma para levar uma carta ao Papa e aos cristãos dessa cidade, salvou a vida da perseguição de Marco Aurélio em Lião. Ao seu retorno, foi eleito Bispo, ministério que exerceu até a sua morte, nos primeiros anos do século III, provavelmente martirizado.

Contra a gnose

As principais obras de Irineu são os cinco livros contra as heresias e o primeiro Catecismo da Igreja. Um dos seus objetivos era combater a heresia gnóstica, que considerava o Credo apostólico como se fosse um ensinamento básico, simbólico, para as pessoas mais simples.

essência da mensagem evangélica, no entanto, seria acessível apenas a uma elite intelectual, um grupo pequeno de iniciados, capazes de compreendê-la e incorporá-la em suas vidas. Uma das características da gnose é o dualismo, a crença de que existem dois princípios, um bom e outro mau, que se contrapõem um ao outro, tendo ambos a mesma dignidade e força. O princípio bom origina o espírito e o mau a matéria. No homem, por exemplo, segundo essa teoria, tudo o que é mau provém da matéria, e o que é bom vem do espírito.

Essas ideias dualistas são radicalmente opostas à fé cristã, herdada dos apóstolos, já que, de acordo com a Revelação Deus é o princípio de tudo, Ele cria tudo do nada. Não há, portanto, nenhum outro princípio que se lhe iguale. Além disso, a matéria é boa, inclusive “santa”, para usar uma expressão de Ireneu.

O cristão tem uma visão positiva do mundo material e da própria matéria que faz parte do ser do homem, e que recebe também os efeitos da ação salvadora de Cristo.

A regra da Fé

De acordo com Santo Irineu, não é o que é acessível a alguns poucos o mais importante, senão o que todos recebemos do ensinamento dos apóstolos, verdades muito simples que nos mostram o caminho da salvação.

O ensinamento dos apóstolos, que eles receberam do Senhor Jesus, é conservado pela Tradição, que é descrita por Santo Irineu como sendo pública (acessível a todos), única (é comum em meio a grande diversidade que compõe a Igreja) e pneumática (ela é fruto da ação do Espírito na Igreja, cujas colunas são os apóstolos).

“Pois a glória de Deus é o homem vivo…”

Catecismo da Igreja Católica recolhe este pensamento de Santo Irineu paraexpressar o fim da criação e o homem como o ápice dela“Pois a glória de Deus é o homem vivo, e a vida do homem é a visão de Deus” (Adv. Haer. IV, 20, 7) (…)

O fim último da criação é que Deus, “Criador do universo, tornar-se-á ‘tudo em todas as coisas (1Cor 15,28), procurando, ao mesmo tempo, a Sua glória e a nossa felicidade” (Catecismo da Igreja Católica, 294).

COMPARTILHAR
Martin Ugarteche Fernández
Membro do Sodalício de Vida Cristã desde 1996. Nascido no Peru em 1978, mora no Brasil desde 2001. Atualmente mora em Petrópolis, onde é professor de filosofia na Universidade Católica e trabalha em diversos projetos de evangelização da cultura.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here