Ser como os três reis magos: perceber os sinais e ir ao encontro de Jesus

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Por Gilberto Cunha

“Eis que a estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.” (Mt 2,8-9)

Ao escutarmos essas profundas palavras do relato da visita dos três reis magos, podemos ficar imaginando como deve ter sido a experiência deles. Acontece neste momento o que conhecemos por epifania, que se traduz literalmente por manifestação.

No grego antigo epifaneia e as suas variações significavam no seu sentido religioso a aparição visível de uma divindade que trazia saúde para o povo. Os cristãos aplicaram esse termo à manifestação salvadora do Filho de Deus. Deus vem ao nosso encontro e nos manifesta o seu amor, nos traz a reconciliação.

O frio e as trevas que habitavam no mundo são dissipados pelo calor e a luz que emanam do Menino, que nasce em um singelo presépio. A força de Deus se manifesta em um lugar que para o mundo seria considerado uma fraqueza, um fracasso.

Os três reis magos

Neste relato do Evangelho aparecem três personagens que um olhar superficial poderia até imaginar que sua presença seria fora de contexto: os três reis magos.

A palavra grega magoi parece derivar-se da forma persa maga. Os magos eram originalmente uma tribo da Meda, que na religião persa exercia funções sacerdotais ou também possuíam alguma ciência ou poder secreto. Eles em muitos casos eram entendidos de Astronomia e Astrologia.

Os magos aparecem no Evangelho como personagens importantes, homens sábios, dedicados ao estudo dos astros. Para estes sábios a grande estrela era sinal inequívoco do nascimento «do Rei dos judeus ». Mas não se tratava de um rei qualquer. No antigo oriente a estrela anunciava o nascimento de um rei divinizado, por isso dizem a Herodes: «viemos adorá-lo».

Os cristãos representaram aos magos como reis, provavelmente influenciados pela profecia de Isaías (Is 60,6). Que sejam “três reis magos” está relacionado ao número de presentes que são oferecidos ao Menino: ouro, incenso e mirra; sinais da realeza, divindade e humanidade de Cristo, respectivamente. A partir do século VIII surgem os nomes dos três reis magos: Melchior, Gaspar e Baltasar.

Ser como os três reis magos: perceber os sinais e colocar-se a caminho

Agora que conhecemos um pouco desses três personagens, gostaria de fazer uma breve reflexão com vocês.

Primeiramente fica claro que eles são capazes de perceber os sinais. São homens que estão em uma atitude de reflexão, atentos. Por estarem abertos, Deus falou às suas mentes e corações e eles foram capazes de interpretar as profecias e os sinais de sua época. Fizeram silêncio e por isso conseguiram notar os detalhes, interpretando corretamente as profecias.

No mundo de hoje, onde tudo acontece com tanta rapidez, onde queremos fazer tantas coisas ao mesmo tempo, onde há tanto barulho como nos faz falta termos essa atitude dos reis! Muitas vezes deixamos de perceber os sinais de Deus em nossas vidas por estarmos distraídos ou preocupados com tantas coisas! Também não percebemos a necessidade do outro, que às vezes está debaixo do nosso nariz. Aprendamos desses homens a fazer silêncio e sermos reverentes!

Ao perceberem os sinais colocam-se imediatamente a caminho. Podemos imaginar quanto de tempo, recursos, esforço deve ter custado para esses homens. Porém não temem abandonar suas seguranças, comodidades e arriscar tudo para encontrar o sentido de suas vidas, a felicidade plena.

A atitude deles lembra uma frase presente de alguma forma no Evangelho e que os últimos papas tem repetido: “Não tenham medo, Cristo não tira nada, dá tudo”. Abandonemos nossas falsas seguranças e nos coloquemos a caminho em busca da verdadeira felicidade. E se precisarmos fazer mudanças importantes, que nos tirará da “zona de conforto”, não tenhamos medo de fazer.

O encontro dos reis com Jesus, Maria e José

Para terminar a nossa reflexão gostaria que imaginássemos como deve ter sido aquele encontro dos reis magos com a Família de Nazaré. Qual não deve ter sido a alegria deles ao perceber que aquela estrela os guiou ao que os seus corações ansiavam? Podemos imaginar essa estrela como um sinal da presença do Espírito Santo, que sempre nos guia ao caminho correto.

Certamente neste momento a maternidade espiritual de Maria já se havia manifestado. A Mãe acolhe os humildes pastores e aos reis magos com um coração aberto. Ela já naquele momento ao receber os presentes dos reis lhes dá um presente maior ainda: o seu Filho Jesus, salvador da humanidade.

Como os reis magos acolhamos sempre aos sinais de Deus em nossas vidas e não tenhamos medo de segui-los.

Nesta caminhada Maria nos acompanha e nos leva sempre ao encontro do seu Filho. Adoremos ao Menino e entreguemos a Ele as nossas vidas!

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Leigo consagrado no Sodalício de Vida Cristã. Formado em Filosofia e Análise de Sistemas. Estudante de Teologia.

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