Caminho para Deus 151 – O horizonte apostólico

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O encontro com Cristo e o anúncio

Quando nos encontramos com Deus e seguimos o Senhor Jesus, o Espírito Santo vai transformando nossa vida, enchendo-a de luz e felicidade. Experimentamos então o chamado interior de comunicar aos demais o Senhor, que saiu ao nosso encontro e ao qual acolhemos cooperando com sua graça. Especialmente no tempo em que nos tocou viver, no qual muitos morrem de frio e escuridão no distanciamento de Deus, é urgente dar uma resposta sólida e comprometida de anúncio do Evangelho.

Como membros da Igreja nosso dever e nossa vocação é a de levar o Evangelho a todas as realidades humanas. Assim nos lembrava o PapaPaulo VI:

«Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na santa missa, que é o memorial da sua morte e gloriosa ressurreição»[1]. E a isto acrescentava que «aquele que foi evangelizado, por sua vez, evangeliza. Está nisso o teste de verdade, a pedra-de-toque da evangelização: não se pode conceber uma pessoa que tenha acolhido a Palavra e se tenha entregado ao reino sem se tornar alguém que testemunha e, por seu turno, anuncia essa Palavra.»[2].

Por sua vez, o Papa João Paulo II, ao começar o Terceiro Milênio da Fé nos exortava ao apostolado afirmando: «Quem verdadeiramente encontrou Cristo, não pode guardá-Lo para si; tem de anuncia-lo. É preciso um novo ímpeto apostólico, vivido como compromisso diário das comunidades e grupos cristãos[3].

E para responder convenientemente a este desafio apostólico devemos nos perguntar: Como viver uma fé intensa, como ser testemunha, como alcançar nossa própria realização, como viver Cristo, como viver a própria missão, como ser autêntica resposta? O essencial – sabemos bem – é o interior. Ali, em nosso interior, está a chave do seguimento pessoal de Cristo. Pois, não podemos irradiar Cristo socialmente, nem aprender a viver, e fazê-lo, se Ele não vive em nosso interior, se não nos encontramos com Ele.

O horizonte apostólico

Como a Pedro e aos apóstolos há 2000 anos, Jesus nos diz hoje: «Vinde em meu seguimento e eu vos farei pescadores de homens» [4]. Mas, para que Ele possa fazer-nos pescador de homens, quer dizer, apóstolos, é necessário confiar nEle quando nos diz: «Faze-te ao largo (remai mar adentro); lançai vossas redes para a pesca»[5]. Remar mar adentro é estar em contato com o horizonte amplo do mar e aventurar-se no risco do desconhecido confiando no Senhor que nos envia.

O Senhor, ao longo do Evangelho, nos vai explicitando com suas palavras e obras o que significa remar mar adentro e qual é a magnitude do horizonte apostólico que nos pede conquistar. Ressuscitado da morte nos manda: «Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado»[6]. Experimentamos este mandato apostólico não como uma obrigação externa, mas sim como um dinamismo interior que brota naturalmente do encontro com Deus e por isso repetimos como São Paulo «Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!»[7].

O horizonte é a transformação de tudo o que está em contradição com a Palavra de Deus e seu Plano. Por isso, cada um de nós deve-se perguntar que novo âmbito apostólico poderia buscar, a que pessoas ou grupos de pessoas poderia chegar para anunciar ao Senhor, que dons pessoais poderia colocar a serviço da evangelização, e responder cooperando com a graça que se derrama abundantemente sobre nós.

O Senhor disse: «Que me resta ainda fazer à minha vinha que eu não tenha feito?»[8] E, com efeito, o fez por todos nós, enviou inclusive a seu Filho, que deu sua vida por amor a nós. Mas, como disse São Paulo, nós ainda não resistimos até o sangue em nossa luta contra o pecado[9], nem chegamos até o sangue, ainda não demos tudo em nossa luta por anunciar ao Senhor.

No tempo dos apóstolos e dos mártires, anunciar a Cristo suportava o risco iminente de perder a vida e inclusive, atualmente, em alguns países, a situação continua sendo a mesma. Em muito mais lugares e situações do mundo contemporâneo o anúncio completo e corajosos do Evangelho pode implicar na perda do bom nome ou na censura por parte do ambiente secularizado. Entretanto, devemos nos entregar ao anúncio com confiança em Deus e com ardor.

Ter um horizonte apostólico amplo implica em audácia evangélica. Um apóstolo audaz descobre possibilidades evangelizadoras em situações nas quais, à primeira vista, não parecem existir. É capaz de vencer falsos respeitos e falsas prudências porque sabe que tudo pode nAquele que o fortalece[10]. Ter o olhar no horizonte do apostolado significa despojar-se de uma atitude rotineira e quem sabe muito tímida para assumir a aventura de anunciar ao Senhor a partir do encontro profundo com Ele.

O Papa Bento XVI disse recentemente aos membros dos movimentos eclesiais: «Estimados amigos, peço-vos que sejais ainda mais, muito mais, colaboradores no ministério apostólico universal do Papa, abrindo as portas a Cristo. Este é o melhor serviço da Igreja aos homens e, de maneira totalmente particular, aos pobres, a fim de que a vida da pessoa, uma ordem mais justa na sociedade e a convivência pacífica entre as nações encontrem em Cristo a “pedra angular” sobre a qual construir a autêntica civilização, a civilização do amor. O Espírito Santo oferece aos fiéis uma visão superior do mundo, da vida e da história, fazendo deles guardiães da esperança que não engana.»[11].

Colaboremos, pois, com o Santo Padre na Nova Evangelização de frente para o horizonte que nos indica o Senhor Jesus.

Citações bíblicas para a meditação

  • Ser portadores do Senhor Jesus, como Maria: Lc 1,36ss.
  • O Senhor nos envia a fazer apostolado: Mt 28,19 ; Jo 15,16.
  • O apostolado é superabundância de amor: 2Cor 12,15 ; Gl 4,19.

Perguntas para o diálogo

  1. Conheço a importância fundamental de me encontrar com o Senhor Jesus para poder anunciá-lo aos demais? Encontrei-me verdadeiramente com o Senhor?
  2. Sou consciente de que o Senhor confia em mim e me chama à missão apostólica? Como estou respondendo?
  3. O que é o horizonte apostólico? Quão grande é meu próprio horizonte apostólico?
  4. Quais são meus principais talentos, virtudes para fazer apostolado? Quais são meus principais obstáculos? O que posso fazer para superá-los?
  5. Costumo ser audaz no apostolado que realizo?
  6. Quais ensinamentos concretos sobre o apostolado Maria me dá?


[1] Evangelii nuntiandi, 14.

[2] Ali mesmo, 24.

[3] Novo Millennio Ineunte, 40.

[4] Mc 1,17.

[5] Lc 5,4.

[6] Mc 16,15-16.

[7] 1Cor 9,16.

[8] Is 5,4.

[9] Ver Hb 12,4.

[10] Ver Fl 4,13.

[11] S.S. Bento XVI, Celebração das Primeiras Vésperas na Vigília de Pentecostes. Encontro com os movimentos e novas comunidades eclesiais, 3/6/2006.

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